Jason Cairnduff / Reuters
Jason Cairnduff / Reuters

Após fazer 1.260 apostas, meia Joey Barton é suspenso por 18 meses e se aposenta

Tendo feito 15 mil apostas em vários esportes, jogador conhecido por falas polêmicas admite vício

Estadao Conteudo

26 de abril de 2017 | 11h54

A Associação de Futebol da Inglaterra (FA, na sigla em inglês) anunciou nesta quarta-feira que meia Joey Barton, do Burnley, foi suspenso por 18 meses de qualquer atividade ao ligada à modalidade no país por ter realizado, dentro de um período de dez anos, nada menos do que 1.260 apostas em partidas de futebol.

O jogador ainda recebeu um multa de 30 mil libras (US$ 38,5 mil) e levou esta dura punição por ter violado a regra E8 do regulamento da FA, que proíbe a participação de atletas profissionais em jogos de azar.

Ao comentar a suspensão por meio de um longo comunicado, Barton, de 34 anos, admitiu ser viciado em apostas e revelou que a decisão da FA o forçará a se aposentar dos gramados agora. Ele tinha planos de atuar por mais duas temporadas, mas não poderá sequer treinar em qualquer clube inglês com a sanção que lhe foi aplicada.

A FA informou que a punição tem efeito imediato e que o meio-campista realizou estas 1.260 apostas entre 26 de março de 2006 e 13 de maio de 2016. E o próprio atleta confessou nesta quarta que já fez mais de 15 mil apostas em uma série de esportes, não se limitando à prática ilegal cometida no futebol enquanto jogador profissional da modalidade.

Entretanto, Barton considerou a punição "muito pesada" e negou que tenha ajudado a manipular resultados de partidas em que se envolveu, assim como destacou que está sendo submetido a um tratamento para combater o vício em apostas.

"Estou muito decepcionado com a dureza da punição. A decisão efetivamente me força a uma aposentadoria precoce do futebol. Para ser claro, não se trata de manipulação de resultados e em nenhum momento minha integridade está em questão", ressaltou Barton no início de seu comunicado.

Ele admitiu que quebrou as regras do jogadores profissionais na Inglaterra, mas acredita que acabou pagando um preço mais alto do que merecia por ser um atleta considerado polêmico e que já se envolveu em uma série de confusões. "Sinto que a punição é mais dura do que seria para outros jogadores menos controversos", disse.

Barton ainda defende que a FA foi insensível com o fato de que ele vem recebendo auxílio médico para tentar se livrar do hábito que acabou arruinando o fim de sua carreira. "Eu tenho lutado contra o meu vício em apostas e entreguei à FA um relatório médico sobre o meu problema. Estou decepcionado por isso não ter sido levado em sua devida consideração", afirmou.

O meio-campista até apelou ao seu histórico familiar para reclamar da punição, assim como disse acreditar que a FA acaba estimulando este tipo de prática ao ser "dependente das empresas de jogos de azar". "Eu cresci em um ambiente onde as apostas eram e ainda fazem parte da cultura. Desde pequeno eu me lembro da minha família comprando cupons de apostas, e os parentes mais velhos faziam apostas para mim em grandes corridas como o Grand National. Até hoje, eu raramente compito sem apostar algo. Se é uma partida de golfe com os amigos por algum dinheiro, ou um jogo de dardos no campo de treinamento. Eu adoro competir. Eu adoro ganhar. Eu também sou viciado nisso", escreveu em seu comunicado.

Em novembro passado, Barton já havia sido condenado a uma suspensão de um jogo pela Federação Escocesa de Futebol por envolvimento em apostas durante o curto período em que defendeu o Glasgow Rangers antes de retornar ao Burnley. Em acordo mútuo entre as partes, ele voltou à equipe inglesa após se envolver em um conflito com o técnico Mark Warburton e um ex-companheiro de time em um treino realizado em setembro. Depois isso, ele ficou inativo até janeiro passado, pois precisou esperar o mercado europeu reabrir antes de poder ser contratado novamente pelo Burnley.

HISTÓRICO DE POLÊMICAS

 Falastrão, Burton já chegou a ficar seis meses preso por envolvimento em várias brigas, assim como ganhou maior visibilidade no noticiário esportivo internacional, entre outras atitudes, por ter se tornado um crítico de Neymar, a quem apontou como um jogador "supervalorizado".

O jogador chegou a escrever em sua conta no Twitter que o atleta nunca chegará ao nível de Messi e Cristiano Ronaldo e, por meio da mesma rede social, já chamou o atacante brasileiro de "Justin Bieber do futebol", comparando o astro pop ao atleta do Barcelona por acreditar que ele é mais um fenômeno de mídia do que um jogador que deveria receber todos os elogios que ganhou como um dos maiores do mundo atualmente.

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