Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Após fracasso do Audax, clubes desistem de ingressos caros

Estádio vazio em Barueri faz FPF propor ações para aumentar o público no Campeonato Paulista

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2017 | 07h00

Os altos preços dos ingressos em alguns jogos da rodada inaugural do Campeonato Paulista não deverão se repetir ao longo da competição. A estratégia adotada por São Bento e Audax no último fim de semana não atrai os outros clubes. Eles temem cobrar caro demais e, com isso, causar o mesmo esvaziamento de estádios visto em Sorocaba e em Barueri. A Federação Paulista de Futebol (FPF) demonstrou preocupação com a baixa presença e vai orientar com ações para incrementar a bilheteria.

Contra o Corinthians, no sábado, o São Bento fixou os preços mais caros do estádio em R$ 120 e R$ 200. O jogo teve público de 6 mil pagantes, o suficiente para uma renda líquida (descontadas taxas e despesas) de R$ 305 mil. A aposta em ingressos mais caros teve efeito bem pior na Arena Barueri, onde o Audax recebeu o São Paulo para somente 2 mil torcedores. Com isso, a renda líquida foi de apenas R$ 3 mil. 

O ingresso custava a partir de R$ 100 e foi uma tentativa do presidente do Audax, o ex-jogador Vampeta, de obter lucro com o interesse dos são-paulinos em conferir a estreia oficial de Rogério Ceni como técnico. A ideia não teve o sucesso esperado e serviu como exemplo para demais clubes do interior.

"O bom de receber jogos com os grandes é a questão da renda, mas não adianta jogar o preço lá em cima. É arriscado e pode afugentar o torcedor", disse o presidente do São Bernardo, Thiago Ferreira. 

O clube do ABC vai receber no estádio Primeiro de Maio jogos contra Santos e São Paulo, com bilhetes a R$ 60, valor 50% maior do que em encontros conta equipes menores. "Nosso lucro sai dos jogos com os grandes", explicou o dirigente. 

O medo de, ao arriscar ganhar muito, ficar sem dinheiro nas mãos também atingiu o Linense. O clube ficou assustado com o borderô do jogo do Audax e disse ter visto o caso como exemplo para reforçar a política de não fixar preços elevados.

"Não vamos cobrar esse absurdo que foi no jogo do Audax. Nosso torcedor não pode pagar muito caro", afirmou o gerente de futebol da equipe, Fausto Momente. O clube promete cobrar R$ 60 para o jogo com o Palmeiras, dia 19, mesmo com a realização da partida na Fonte Luminosa, em Araraquara, para cumprir recomendação do Ministério Público por causa da falta de estrutura do estádio em Lins para receber partidas com grandes públicos.

Aumentar o preço para jogos contra os principais times do Estado é também uma medida para cobrir os gastos. "O custo de receber um dos quatro grandes é elevado. Temos mais presença de torcida, maior custo com fiscais de público e taxa mais cara de policiamento", explicou o presidente do Mirassol, Edson Ermenegildo.

O clube vai ser mandante contra o Corinthians no sábado de carnaval e o preço será dobrado em comparação ao normal. O valor mais barato será R$ 80. 

"A parte financeira é importante, mas não é a prioridade. Temos de respeitar o público e a cidade. Por outro lado, colocar ingresso muito barato pode provocar tumulto na bilheteria, com excesso de gente em busca de entradas", disse. 

SEM INTERVENÇÃO

A FPF estipula o preço mínimo de R$ 40 por ingresso para a competição, mas não determina um valor máximo que os clubes podem cobrar. O departamento de arrecadação da entidade tem discutido com os clubes estratégias em conjunto para atrair mais torcedores aos estádios durante o Estadual. 

"Não limitamos preço máximo, pois se trata de uma decisão dos clubes. O baixo público no jogo entre Audax e São Paulo, porém, demonstrou que esta ação (de cobrar valores elevados) não foi bem-sucedida. A FPF tem conversado com os clubes para gerar ações que aumentem o público nos estádios", disse a entidade, por meio de comunicado.

Em 2016, a média do Paulistão foi de 7 mil pessoas por partida. A meta é chegar a 8 mil na atual edição. / COLABOROU RAPHAEL RAMOS

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