Após golaço, Maicon agradece treinador

O golaço que fez contra o Paraguai, numa arrancada em que deixou para trás cinco marcadores e o goleiro e foi aplaudida de pé pelo público que estava no Estádio Municipal de Concepción, rendeu ao lateral-direito Maicon os 15 minutos de fama a que ainda não tinha direito num grupo com tantos jogadores que são ídolos em seus clubes. Ele não se cansou de descrever o lance "à Maradona" e aproveitou para mostrar o quanto é grato ao técnico Ricardo Gomes, que o chama para a Seleção Sub-23 apesar de ele ser reserva de Maurinho no Cruzeiro. "O professor Ricardo me dá muita confiança para jogar e procuro retribuir com dedicação em campo." Maicon é o único jogador que participou de todos os jogos da Sub-23 sob o comando de Ricardo Gomes. Foram 12 jogos ano passado - cinco no Torneio do Catar, cinco na Copa Ouro e os amistosos contra Corinthians e Santos - e mais dois no Pré-Olímpico, com dois gols marcados. O primeiro foi na vitória por 2 a 1 sobre Honduras na Copa Ouro, mas o que fez sexta-feira é o que vai ficar guardado para sempre na sua memória. "Foi o gol mais bonito da minha carreira, sem dúvida nenhuma. Por coincidência, tinha falado com meu pai de tarde e pedido para ele gravar o jogo. Agora esse gol está lá gravado para sempre." Maicon rejeitou a comparação com o gol histórico que Maradona marcou no jogo contra a Inglaterra na Copa de 1986, em que partiu do campo de defesa - quase da mesma posição em que começou a nascer a obra-prima do lateral - e deixou os adversários pelo caminho até empurrar para a rede. E explicou que sua intenção inicial era tabelar com Dagoberto. "Tenho a arrancada como característica. Quando parti em velocidade com a bola, pensava em tocar para o Dagoberto. Mas o zagueiro fechou em cima dele e abriu espaço para mim. Tive de driblar o goleiro porque ele fechou o meu ângulo e aí fiquei com o gol aberto." Maicon tem 22 anos - completa 23 dia 26 de julho - e é noivo de Simone, com quem tem uma filha, Marcela, de dois meses. O gol deve ter enchido de orgulho seu pai, Manuel, que também foi lateral-direito. "Quando eu e meu irmão gêmeo (Marlon) nascemos, ele enterrou nossos umbigos no campo do Santa Rosa, lá em Novo Hamburgo. Meu pai apostava que nós seríamos jogadores e graças a Deus estou conseguindo." Marlon jogou um tempo como zagueiro nas categorias de base do Grêmio, mas desistiu da carreira. Com o vigor físico que tem e a falta de concorrentes na posição, ele é sério candidato a ir aos Jogos Olímpicos caso o Brasil se classifique. Antes disso, quer lutar por mais espaço no Cruzeiro. "Até o dia 25 minha cabeça está aqui. A partir do dia 26 vou tentar dar trabalho para o Vanderlei escolher o lateral do Cruzeiro."

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2004 | 22h00

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