Após goleada, Geninho pode ser demitido pelo Atlético-MG

Se não conseguir passar pelo Náutico na Copa do Brasil, situação do técnico ficará insustentável

Eduardo Kattah, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2008 | 18h53

No ano em que comemora o seu centenário, o Atlético Mineiro sofreu no domingo a maior goleada para o arqui-rival Cruzeiro na história dos clássicos desde a inauguração do Mineirão, em 1965. O placar de 5 a 0 a favor do time celeste, que praticamente assegurou antecipadamente a conquista do Campeonato Mineiro, deixou o técnico Geninho em situação delicada. O Atlético enfrenta o Náutico na quarta-feira, valendo vaga nas quartas-de-final da Copa do Brasil, e uma desclassificação poderá custar o cargo do treinador, que demonstrou resignação. "Já passei aquela fase de me preocupar se vou ser demitido ou não vou ser demitido. Eu sou daquelas pessoas que, quando a coisa não está boa para mim, eu vou embora. Não fico chocando num lugar ou ocupando um lugar onde eu não sou bem-vindo", disse Geninho após a partida, ainda no vestiário do Mineirão. "O dia que a torcida do Atlético ou a diretoria não me quiserem, eu vou embora. Enquanto eles me quiserem aqui eu tento cumprir o meu contrato." O Atlético perdeu por 3 a 2 e precisa de uma vitória por 1 a 0, 2 a 1 ou dois gols de diferença para se classificar. O presidente do clube, Ziza Valadares - que antes do jogo chegou a denunciar um "complô" contra sua equipe e exigiu que a primeira partida da final fosse apitada por um árbitro de outro Estado - afirmou nesta segunda que a permanência do treinador não depende necessariamente da classificação para a próxima fase da Copa do Brasil. Ziza, porém, preferiu não falar em hipóteses, mas classificou como "atípico" o resultado do último domingo. Abatidos, os jogadores se reapresentaram no CT de Vespasiano e iniciaram a preparação para o confronto com o time pernambucano com a ordem de "juntar os cacos". E, no domingo, a intenção é lutar por uma "despedida honrosa", embora em público o discurso é de que o Atlético ainda não "entregou os pontos". Para conquistar a taça, como fez campanha pior que a do rival, o Atlético precisa vencer por diferença de seis gols. Para se ter uma idéia da missão, o time alvinegro terá de chegar perto maior goleada da história do confronto: em 1927, venceu por 9 a 2 o rival que ainda se chamava Palestra Itália. Na era Mineirão, os triunfos mais elásticos foram duas goleadas por 4 a 0, em 1983 e 2007, ambas pelo Campeonato Mineiro. Esta última, curiosamente, também foi no primeiro jogo da final e praticamente selou a conquista atleticana. CRUZEIRODo outro lado, em meio à euforia pela vitória de domingo, o Cruzeiro também tem um importante compromisso no meio da semana. O time do técnico Adilson Batista inicia na quarta-feira, em Buenos Aires, o confronto com o Boca Juniors pelas oitavas-de-final da Libertadores. A delegação viajou nesta segunda para a capital argentina. A diretoria admitiu que o clube foi sondado pelo Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, que demonstrou interesse em contratar o atacante Marcelo Moreno, mas o clube nega que tenha recebido uma proposta oficial e que o jogador esteja sendo negociado.

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