Franck Fife/AFP
Franck Fife/AFP

Após interrupção por racismo, PSG volta a campo e goleia Istanbul em jogo marcado por protestos

Neymar marca três vezes e comanda vitória por 5 a 1 em partida que teve jogadores ajoelhados e apoio a Pierro Webó

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2020 | 16h35
Atualizado 11 de dezembro de 2020 | 22h13

Um dia depois de deixarem o campo revoltados por um episódio de racismo, Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir retomaram a partida da Liga dos Campeões nesta quarta-feira com uma série de ações e protestos contra o preconceito. O jogo na capital francesa teve vitória do time da casa por 5 a 1 e grande atuação de Neymar, autor de três gols. A partida pouco mudou a situação dos dois times no torneio, mas mostrou um contundente posicionamento do futebol diante do racismo.

Na terça-feira o jogo foi interrompido aos 13 minutos depois de o quatro árbitro, o romeno Sebastien Coltescu, se dirigir de maneira ofensiva e preconceituosa ao camaronês Pierre Webó, ex-atacante e atual assistente técnico da equipe turca. Os times se recusaram a continuar a partida e deixaram o campo. Houve uma grande recupercussão internacional. A solução da Uefa foi retomar o jogo nesta quarta-feira com uma nova equipe de arbitragem.

Os jogadores voltaram ao Parque dos Príncipes um dia depois da confusão da terça-feira e encontraram um ambiente bem diferente. O clube francês espalhou pelo estádio faixas de apoio ao camaronês Pierre Webó e com mensagens contra o racismo. Uma delas, inclusive, estava em posição prestigiada dentro do estádio, próxima ao meio-campo, para que pudesse aparecer com destaque nas transmissões de TV pelo mundo.

Os jogadores dos dois times levaram também esse mesmo recado nas camisas utilizadas no aquecimento. As peças na cor branca traziam o escudo das equipes junto com a expressão "Não ao racismo". Um dos que utilizou a peça foi justamente Webó. O camaronês que trabalha de assistente técnico da equipe turca vestiu a camisa e acompanhou de perto o trabalho de aquecimento junto com os atletas. 

Antes do início do jogo, os atletas se reuniram no círculo central. Os dois times se uniram e os jogadores, de maneira intercalada, se posicionaram no meio-campo e se ajoelharam. Alguns até levantaram o punho cerrado, um símbolo da luta contra o racismo. Os novos árbitros designados para a partida também acompanharam o protesto. O conjunto romeno deu lugar a holandeses, italianos e poloneses no apito.

"A gente tinha de fazer isso. Fizemos muito bem. Foi o que deu na minha cabeça, foi o que eu deveria ter feito na primeira vez", afirmou o Neymar à Telefoot. "É uma coisa muito séria, muito delicada. Infelizmente, ocorreu essa situação, que é bem chata. Aconteceu comigo no começo da temporada. Senti na pele e sei que não é legal sofrer qualquer ato ou insinuação por sua cor, por sua raça", acrescentou, referindo-se ao episódio com o zagueiro Álvaro González, do Olympique de Marselha, em jogo pelo Campeonato Francês.

A partida foi retomada aos 13 minutos. Em vez de recomeçar no meio-campo, uma cobrança de falta do time turco selou o início. Com o Istanbul já eliminado da competição e o PSG garantido nas oitavas de final, restava saber apenas se o time francês passaria em primeiro lugar da chave ou não. Para confirmar a liderança, a equipe da casa precisava vencer e começou com um ritmo muito forte.

Aos 20 minutos, Neymar colocou a bola entre as pernas do zagueiro Ponck e chutou no ângulo para abrir o placar. O segundo gol veio também com o camisa 10, que finalizou um contra-ataque aos 38 minutos. Novamente o brasileiro foi protagonista ao sofrer um pênalti no fim do primeiro tempo. Mbappé cobrou, converteu e fez o PSG terminar o primeiro tempo com 3 a 0 o placar.

Depois do intervalo, Neymar marcou de novo, desta vez em um chute de fora da área aos 5 minutos. Topal diminuiu para os turcos na sequência. Porém, logo depois Mbappé voltou a marcar pelo time parisiense para fechar o placar em 5 a 1. O resultado, no entanto, pouco deve ser lembrado futuramente. O encontro entre os times ficará marcado pelas manifestações inéditas contra o racismo.

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