Victor R. Caivano|AP
Victor R. Caivano|AP

Após intervenção, AFA garante Argentina na Copa América

Clubes defendem retaliação à decisão de nomear fiscais

RODRIGO CAVALHEIRO - CORRESPONDENTE EM BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 17h07

Uma intervenção do governo de Mauricio Macri na Associação do Futebol Argentino (AFA), com o adiamento de eleições e nomeação de dois fiscais, levou dirigentes de alguns clubes a defender nesta terça-feira a saída da seleção de Lionel Messi da Copa América. Essa hipótese foi descartada pelo presidente da instituição, Luis Segura, que desafiou o ato estatal e manteve a eleição com cinco candidatos para o dia 30 de junho.

"Não existe chance de a seleção voltar dos EUA. Não há possibilidade de o Boca sair da Libertadores", disse em entrevista coletiva no início da tarde, referindo-se a outro rumor surgido em meio à guerra pelo comando da associação, o de que a AFA retiraria o time argentino da competição sul-americana.

O governo de Macri decidiu na segunda-feira colocar um advogado e uma contadora para vigiar as contas da AFA e suspender a votação para presidente por 90 dias. A Casa Rosada rejeita o uso do termo intervenção. Na sua avaliação, isso ocorreria com a troca no comando da instituição e poderia levar a uma punição pela Fifa - a desfiliação, em caso extremo. Segundo os jornais Clarín e La Nación, interlocutores de Macri consultaram a Fifa para certificar-se de que a ação na AFA não sofreria sanção.

A ameaça de punir a seleção com o afastamento da Copa América partiu de dirigentes de clubes pequenos, alinhados ao presidente do Independiente, o sindicalista mais influente do país, Hugo Moyano. Aliado de ocasião de Macri na eleição para a Casa Rosada no ano passado, Moyano não teve em retribuição o apoio a sua meta de chefiar da AFA. Na saída de uma reunião que discutiu o assunto na noite desta terça-feira, ele disse que a AFA alertaria a Fifa e a Conmebol sobre o ato do governo. Também afirmou que os cinco candidatos pediriam uma audiência com Macri.

O líder da categoria dos caminhoneiros tem como rival mais forte o apresentador de TV Marcelo Tinelli, dirigente do San Lorenzo. A hipótese de Tinelli comandar uma liga nos moldes da espanhola e Moyano assumir a AFA, com controle sobre a seleção, ganhou força há uma semana. A repartição do poder foi descartada depois do veto do presidente do Boca, Daniel Angelici, afilhado político de Macri.

A eleição para a AFA deveria ter sido definida em 3 de dezembro. Os candidatos então eram Tinelli, o apresentador mais popular do país, e Segura, herdeiro político de Julio Grondona, morto em 2014 em meio a investigações de corrupção na AFA. Em uma votação com 75 dirigentes, houve empate de 38 a 38. O resultado aumentou a pressão por mudanças na estrutura da associação.

No domingo, o Lanús tornou-se campeão argentino em um torneio compacto, pensado para adequar o calendário local ao europeu. Foi o segundo título do time da região metropolitana de Buenos Aires. No fim de semana, se definirá o acesso à primeira divisão do próximo campeonato, em uma rodada que também foi colocada em discussão pelos dirigentes descontentes com a ação de Macri.

Uma decisão do Comitê Executivo da AFA, com reunião marcada para as 18 horas desta terça-feira, poderia determinar o regresso da seleção argentina dos EUA, mas essa hipótese era remota, não só pelas declarações de Segura. A cobertura jornalística massiva da competição pelos meios locais indica que vencê-la tornou-se uma obsessão, após dois vice-campeonatos, no Mundial de 2014 e na Copa América do ano passado, com derrotas para Alemanha e Chile. A Argentina não ganha um título há 23 anos.

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