JF Diorio/Estadão
O zagueiro Walce já recebeu sondagens do Villarreal e do CSKA JF Diorio/Estadão

Após lançar atacantes, São Paulo prepara nova safra de zagueiros

Também crias em Cotia, nomes como Walce e Rodrigo aguardam a vez de atuar pelo time profissional

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2019 | 04h30

Depois de lançar o atacante Antony, o meia Igor Gomes e os volantes Liziero e Luan no Campeonato Paulista, todos atletas que atuam do meio para a frente, o São Paulo prepara agora uma fornada de zagueiros para o restante da temporada. Nomes como Walce e Rodrigo já treinam com os profissionais e devem começar a aparecer nas próximas escalações. Tuta, outro nome da nova safra de xerifes, já foi vendido para o futebol alemão. 

Os novos zagueiros obviamente terão de esperar a sua vez. Bruno Alves e Arboleda são os titulares e Anderson Martins é o reserva imediato. Para o jogo de hoje com o Flamengo, por exemplo, a contusão muscular de Arboleda deu oportunidade a Anderson. 

Walce Costa é considerado o melhor defensor revelado pelas categorias de base do clube nos últimos anos. Ausente do time campeão da Copa São Paulo de Juniores por estar na seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano sub-20, o mato-grossense de Cuiabá já despertou o interesse de clubes europeus sem ter atuado pelo time profissional. O Villarreal tentou contratá-lo por empréstimo pagando € 1 milhão. O clube paulista nem quis abrir conversas. Diante da sondagem do CSKA, a pedida do São Paulo foi de R$ 63,4 milhões. 

Com contrato até 2022, o defensor de 1,87 m admira o ex-zagueiro Puyol, que fez história no Barcelona, e gosta de cobrar faltas. “Sempre acompanhei grandes cobradores de falta e percebi que tinha facilidade para bater na bola. Tenho que evoluir. Eu treino todos os dias para poder estar bem nesse quesito e poder ajudar o São Paulo quando surgiu a oportunidade”, diz o garoto de 20 anos. 

A comissão técnica aposta tantas fichas nele que acabou se desfazendo de outra promessa. No mês passado, Tuta, também vencedor da Copinha, foi comprado pelo Eintracht Frankfurt por R$ 7,6 milhões por 70% dos direitos econômicos. Os outros 30% continuam pertencendo ao São Paulo.

Ele partiu para a Europa aos 19 anos, sem ter estreado na equipe profissional, e faz as funções de zagueiro e lateral-direito. Tuta foi vendido em função da concorrência acirrada no setor. Hoje, sua equipe briga por uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. 

Lucas Kal e Rodrigo Freitas são as outras duas promessas para o setor defensivo. Depois de ser capitão da equipe vice-campeã da Copa São Paulo de 2018, Rodrigo ganhou um apoio de peso no clube. Ricardo Rocha, coordenador de futebol no ano passado e um dos grandes zagueiros da história do clube, aposta alto no baiano de 1,89 m. Ele chegou a ser relacionado para alguns jogos por Diego Aguirre e permanece treinando com o time profissional. 

Lucas Kal retornou de empréstimo a pedido do então técnico André Jardine. Ele havia sido emprestado ao Vasco – e também a Guarani e Paraná – para ganhar rodagem.

Títulos

A base do São Paulo teve um ano vitorioso em 2018. Depois de conquistar 12 títulos em 2016 e outros 11 em 2017, os garotos do São Paulo levantaram 10 taças na temporada passada. Em 2019, a equipe já ganhou um troféu importante: o da Copa São Paulo de Juniores. Com ele, o clube soma quatro títulos em 11 finais disputadas.

As categorias infantil, juvenil e júnior do São Paulo treinam no Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel, o CT de Cotia. Inaugurado pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa em 16 de julho de 2005, o terreno de 220 mil metros quadrados é referência no trabalho de formação de atletas de alto rendimento e orgulho para o clube. 

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'No futebol, você sempre tem de estar preparado para a oportunidade'

Titular da seleção brasileira sub-20 é uma das revelações do São Paulo para o setor defensivo

Entrevista com

Walce - zagueiro do São Paulo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2019 | 04h30

Walce Costa é considerado o melhor defensor revelado pelas categorias de base do clube nos últimos anos. Campeão da Copa São Paulo de Juniores e titular da seleção brasileira no Campeonato Sul-Americano sub-20, o mato-grossense de Cuiabá já despertou o interesse de clubes europeus sem ter atuado pelo time profissional. Em entrevista ao Estado, ele revela quais são suas inspirações, no Brasil e no exterior, e os segredos para ser um defensor que faz gols de falta. 

Por que o São Paulo forma tantos jogadores?

Existe um investimento grande na base do São Paulo. Os melhores profissionais estão no dia a dia para fazer com que os meninos melhorem e alcancem um bom nível com uma idade baixa. Isso faz com que o São Paulo revele bons jogadores. A prova disso são os meninos que estão jogando, como Antony, Toró, Liziero, Igor e outros que já passaram e estão fazendo sucesso.

Depois de revelar jogadores do meio para a frente, a base está mostrando novos zagueiros. Chegou a vez dos defensores?

Na minha visão, acho que sim. No futebol, você pode ir para o jogo da noite para o dia e fazer sua história. Você tem de estar preparado. Estou trabalhando no dia a dia para que, quando tiver minha oportunidade, eu esteja preparado para fazer o melhor. 

Quais os conselhos que os mais velhos dão para vocês?

Ter paciência. Esse é um momento de transição. Nós temos de entender o processo. Eles estão sempre ao nosso lado dando apoio, conselhos e exemplos do que eles já passaram. Mostram momentos que já tiveram na carreira e que agregam muito na nossa. 

Como encara o interesse de clubes europeus, mesmo jovem?

É bom saber que o trabalho está sendo reconhecido desde jovem. É uma satisfação. Sei que estou no caminho certo. 

Você é um zagueiro que costuma fazer muitos gols...

Eu procuro sempre ajudar minha equipe, seja defendendo ou, quando tenho oportunidade, procuro estar próximo da área, fazendo gols de cabeça ou até mesmo de falta, que gosto de treinar muito. É um diferencial que eu achei e tenho qualidade para isso. 

Não é comum que zagueiros batam falta. Como você começou a se interessar e a treinar as faltas?

Desde pequeno venho acompanhando grandes batedores de falta. Isso fez com que eu tivesse uma visão de que esse é ponto de perigo para o adversário. Percebi que tinha facilidade para bater na bola. Isso é trabalho também. A gente tem de evoluir. Treino todos os dias para poder estar bem nesse quesito. Assim que surgir uma oportunidade de bater uma falta, espero estar preparado para ajudar. 

Quem são seus ídolos? 

Um dos meus ídolos é o Puyol, um dos maiores zagueiros do Barcelona. Pela postura, pela história e pela liderança que ele tinha. Era um cara bem centrado no que fazia e sempre respeitoso com companheiros e adversários. Procuro aprender com os próprios jogadores do São Paulo, o Bruno Alves, Anderson Martins e o Arboleda. São as referências mais próximas. É uma satisfação trabalhar com eles. Faz com que eu entenda que o meu momento pode chegar, mas tenho de refletir que eles estão em um momento bom e tenho de aprender com isso. 

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