Alejandro Pagni/AFP
Alejandro Pagni/AFP

Após 'milagre', Maradona deixa hospital e terá clínica para se reabilitar em casa

Ex-jogador argentino vai tratar da dependência de álcool e remédios

Redação, Estadão Conteúdo

11 de novembro de 2020 | 13h15
Atualizado 11 de novembro de 2020 | 19h50

Diego Armando Maradona teve alta, no início da noite desta quarta-feira, da Clínica Olivos, em Buenos Aires, onde foi submetido a uma cirurgia no cérebro há oito dias para tratar um hematoma. O astro argentino vai iniciar um tratamento de reabilitação em sua casa, perto da residência de uma de suas filhas, para combater a dependência do álcool.

"Ele assinou a alta", disse o neurocirurgião Leopoldo Luque, médico particular de Maradona. Uma foto do médico com seu paciente mais famoso, com um curativo na cabeça, ambos sorrindo, circulou nas redes sociais nesta quarta-feira.

A ambulância em que Maradona saiu da clínica foi seguida por uma caravana de carros durante todo o trajeto até a casa do ídolo. Dezenas de fãs ficaram durante todo o tempo de sua internação em frente ao hospital. Pelo menos por enquanto "El Diez" não poderá retornar ao seu posto de treinador do Gimnasia La Plata.

A informação foi dada pela manhã por Matias Morla, advogado do próprio ex-jogador"Diego está inteiro, querendo se reabilitar. O que é preciso agora é a união da família e estar rodeado de profissionais de saúde que o tratem. Acredito que é um milagre que se tenha detectado esse derrame na cabeça a tempo, poderia ter lhe custado a vida", disse Morla, que revelou o plano dos médicos de mudar Maradona para uma casa em condomínio fechado localizado ao norte da capital argentina, perto de onde residem suas filhas mais velhas, Dalma e Giannina. Isso significa que pelo menos por enquanto Maradona não poderá retornar ao seu posto de treinador do Gimnasia La Plata.

O advogado destacou ainda que seus familares devem deixar de lado brigas entre si e com o próprio ex-jogador nesse momento. Essas confusões se refletem nas redes sociais e prejudicada a saúde de Maradona, de 60 anos. "Independentemente de ser Maradona, aqui a situação é clara: estar em paz com seus parentes e que eles se respeitem, que eles possam coordenar visitas, porque neste caso o Diego tem de reabilitar e para isso precisa de paz e unidade."

Segundo o neurocirurgião Leopoldo Luque, médico pessoal de Maradona, a combinação de bebidas alcoólicas e drogas psicotrópicas que o astro toma habitualmente desequilibrou seu corpo e determinou sua hospitalização no último dia 2. Uma tomografia computadorizada detectou o edema craniano, que na maioria dos casos é causado por uma queda.

O ex-astro do futebol sofreu ao longo da vida vários problemas com a saúde por causa, em grande parte, de seu vício em drogas, especialmente cocaína. Após sua aposentadoria, Maradona ficou à beira da morte em 2000 e 2004. Embora tenha parado de usar drogas, segundo informações médicas, ele o fez à custa do tratamento com várias drogas psicoativas que continua a tomar constantemente.

O capitão da seleção argentina campeã mundial de 1986, no México, permanecerá sob os cuidados de Luque e de uma equipe de psicólogos e psiquiatras. Com 60 anos completados no último dia 30, Maradona foi internado na Clínica Ipensa, de La Plata, no dia 2, após se sentir mal. Foi transferido para a Clínica Olivos.

Entre os possíveis fatores de risco para essa lesão, estão a idade e o abuso do álcool. Na semana passada, Maradona mal comemorou o seu 60º aniversário porque já apresentava uma saúde debilitada. Atual treinador do Gimnasia La Plata, o ex-jogador comia pouco, aparentava fraqueza e participou sem ânimo da partida realizada também na sexta entre o Gimnasia e o Patronato, pela Copa da Liga Profissional da Argentina. Maradona esteve presente somente nos 18 primeiros minutos e depois deixou o estádio.

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