Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Após nova ausência, PSG teme perda precoce de Neymar

Insatisfação do craque com o nível da liga local estaria por trás de sua vontade de ir ao Real Madrid

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2018 | 07h00

A ausência de Neymar na partida desta quarta-feira com o Guingamp, a segunda consecutiva em jogos do Paris Saint-Germain, reforçou as suspeitas de que o craque está começando a entrar em rota de colisão com o clube. A imprensa local sustenta que ele estaria repensando a decisão de jogar a Liga 1, o Campeonato Francês, depois das vaias que recebeu no confronto contra o Dijon. Para apaziguar os ânimos, torcidas organizadas do PSG manifestaram apoio ao astro nesta quarta, no Parc des Princes, durante o jogo pela Copa da França.

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O apoio dos organizados teria sido pedido pelo presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, assustado com a possibilidade de perder Neymar para o Real Madrid. Duas enormes faixas foram expostas nas arquibancadas. “Vaiar nossos jogadores é contra nossos valores”, dizia a primeira. Logo abaixo, uma segunda mensagem completou: “Neymar-PSG-CUP unidos por Paris”. CUP é o Collectif Ultras Paris (CUP), o conjunto das torcidas organizadas do clube.

A nova controvérsia envolvendo Neymar em Paris teve início há uma semana, no jogo contra o Dijon, pelo Francês. Ao final de uma apresentação de gala, na qual marcou quatro gols pela primeira vez em sua passagem pelo PSG, o craque brasileiro foi vaiado por parte da torcida por não ter cedido a Cavani o pênalti que poderia tê-lo feito quebrar o recorde histórico de gols de um jogador pela equipe de Paris.

Contrariado, Neymar deixou o campo sem saudar a torcida. Após o episódio, o brasileiro não jogou na derrota por 2 a 1 do PSG para o Lyon, no final de semana, em função de uma lesão na coxa. Na segunda-feira, participou normalmente do treinamento, brincou com os colegas e sorriu. Mas nesta quarta-feira esteve mais uma vez ausente, na vitória por 4 a 2 sobre o Guingamp.

Também na quarta, uma reportagem do jornal L’Équipe informou que Neymar estaria insatisfeito não com o clube, mas com a qualidade da Liga 1, onde é o alvo preferido dos zagueiros. “A estrela brasileira, em privado, não esconde mais suas interrogações e dúvidas sobre sua aventura no Campeonato Francês. Ele o acha com frequência muito defensivo e rude fisicamente”, diz o jornal. “Neymar diz que na Espanha o jogo é mais aberto, e que ele é menos sujeito às pancadas.”

Cortejado pelo Real Madrid, o astro teria confidenciado a pessoas próximas que estaria disposto a retornar à Espanha, até mesmo baixando seu salário, hoje de € 31 milhões (R$ 98,3 milhões) por ano. O presidente do clube madrileno, Florentino Pérez, estaria preparando uma oferta de € 250 milhões (R$ 792,5 milhões) ao PSG, que poderia vir acompanhada da cessão de Cristiano Ronaldo.

Mas, depois de pagar caro pela maior transação da história do futebol mundial – R$ 820 milhões –, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, teria fechado a porta a uma transferência em curto ou médio prazo. Esse seria um dos motivos que o levou a pedir à torcida que seja carinhosa com o brasileiro.

O CUP, aliás, já havia expressado apoio sábado, após a derrota para o Lyon, quando publicou uma foto histórica do clube com uma faixa com os dizeres: “Vaiar nossos jogadores é cuspir nas nossas cores”.

A K-Soce Team, principal torcida no interior do CUP, também vem demonstrando estar de acordo com os pedidos para acalmar a tensão. “Não se vaia nossos jogadores, sobretudo após quatro gols e dois passes decisivos em um jogo”, argumenta Mika, como é conhecido o vice-presidente do CUP. “Neymar veio ao PSG porque queria sair da sombra de Messi, ser o número 1. Dá pra sentir que ele precisa de afeição. É um jogador à parte, que raramente vimos em Paris. Não pode partir, senão teremos perdido tudo.”

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