Heino Kalis/Reuters
Heino Kalis/Reuters

Após oito cirurgias, a milagrosa recuperação de Santi Cazorla

Espanhol de 34 anos supera várias contusões seguidas, risco de não mais andar e se destaca pelo Villarreal

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2019 | 04h30

Os dois gols marcados por Santi Cazorla contra o Real Madrid, no empate por 2 a 2 pela 17.° rodada do Campeonato Espanhol, já justificariam a comoção no Estádio de La Cerámica, casa do Villarreal. No entanto, jogador, torcedores e até mesmo rivais souberam reconhecer que aquele momento era a consolidação do retorno de um dos principais nomes do futebol espanhol. Aos 34 anos, o meia bicampeão da Eurocopa, em 2008 e 2012, começou a lutar contra seguidas lesões em 2013 e chegou a perder oito centímetros do tendão de Aquiles por conta de uma infecção.

“Disseram-me que, se voltasse a caminhar com o meu filho pelo jardim, já me devia dar por satisfeito”, disse o jogador em entrevista em 2017, ao jornal Marca, quando ainda defendia o Arsenal. 

A insistência em prosperar na Inglaterra pelo clube que investiu R$ 52,4 milhões em sua contratação, em 2012, foi um dos motivos para agravar os problemas. Mesmo sentindo dores, Cazorla continuou atuando até que precisou fazer uma cirurgia. Processo que se repetiu ao todo oito vezes. Em uma delas, precisou fazer um enxerto de pele do antebraço, onde tinha tatuada o nome da filha. Algumas das letras gravadas agora fazem parte de seu tornozelo.

“O problema é que as feridas não cicatrizavam e voltavam a abrir, inflamavam... Numa foto, até se vê o meu tendão. Vi que tinha uma infecção tremenda, que me danificou parte do osso calcâneo e comeu o tendão de Aquiles. Faltavam-me oito centímetros!”, explicou.

Durante todo o período longe dos gramados, Cazorla contou que um gesto do técnico Arsène Wenger foi muito marcante. “Arsène sempre me deu apoio. Ele renovou o meu contrato antes da primeira operação, o que foi um gesto incrível”, relembrou. “Ele me chamou: ‘Santi, eu vou validar o seu ano opcional (no contrato). Está aqui, assine e faça a sua operação com a cabeça tranquila’. Aquilo me ajudou a focar na minha reabilitação sem nenhum medo. Serei eternamente grato por isso”, contou ao The Guardian.

‘Renascimento’.

Com o fim do vínculo com o Arsenal, o “Pequeno Mágico”, como ficou conhecido quando despontou para o futebol, voltou para o Villarreal para o que seria uma despedida. Sua apresentação teve até direito a truques de ilusionismo. O mágico profissional Yunke realizou alguns números no gramado do La Cerâmica para os 4,5 mil presentes até que fez o reforço “aparecer” de um tubo no meio do campo.

“Sempre disse que não era uma opção me render. Ainda tenho dores que me impedem de estar 100%, mas trabalho diariamente para acabar com elas. A cada dia tenho sensações melhores, mas sou muito exigente e quero seguir melhorando. Agora vou dar tudo por esta camisa e por este clube”, disse Cazorla no reencontro com o clube que já havia defendido em duas passagens, entre 2003 e 2006 e entre 2007 e 2011.

A história do meia serve como inspiração para seus companheiros. “É chave não perder a esperança. Santi é um exemplo disto, como jogador e como pessoa. O que te motiva para seguir em frente é o seu caráter e seu sentimento. Nós compartilhamos grandes coisas. Sempre nos lembramos um do outro, apesar de estarmos longe. Estou feliz que ele continuar jogando”, disse Iniesta.

Apesar de individualmente viver um bom momento, Cazorla vê seu clube viver uma situação complicada. O Villarreal, que amanhã recebe o Athletic Bilbao, ocupa a 19.ª posição no Campeonato Espanhol e corre risco de rebaixamento.

 

 

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