Ricardo Saibun/Divulgação
Ricardo Saibun/Divulgação

Após período ruim, Geuvânio dá a volta por cima na hora certa

Na reta final da temporada, jovem atacante supera longa má fase e se firma como um dos principais jogadores da equipe santista

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2014 | 10h00

Enderson Moreira assumiu o comando da equipe do Santos no começo de setembro sob a desconfiança de conselheiros e torcedores. Em 20 dias, mais precisamente no intervalo do jogo entre Atlético-MG e Santos, o técnico começou a superar a rejeição com uma aposta que parecia ser de risco: Geuvânio, que já era tido por muitos como mais uma das “joias” que surgem nas categorias de base do clube e ficam pelo caminho.

O atacante de 22 anos, no entanto, entrou muito bem naquele jogo e até marcou um gol. Apesar da derrota por 3 a 2 para os mineiros, ele saiu de campo com a sensação de que havia recuperado o futebol que o levou a ser considerado um dos melhores jogadores do último Campeonato Paulista.

“Fiquei fora da concentração umas dez partidas, mas jamais desisti e hoje estou tranquilo, com outra cabeça. Graças ao professor (Enderson), que me passou confiança. Escutei o que ele me falou e sempre treinei forte. Quando a chance surgiu, eu estava preparado.”

Depois do jogo de Belo Horizonte, Enderson manteve o compromisso de dar oportunidade a todos os atletas do elenco, mas não mexeu mais com Geuvânio, que no clássico contra o Palmeiras chegará ao sétimo jogo seguido como titular.

Educado e dono de um sorriso tímido, Geuvânio gosta de lembrar das primeiras lições de futebol que recebeu quando ainda era um garotinho mirrado do avô, Sergipe, como é conhecido nos campos de várzea da zona leste de São Paulo. “Foi ele quem me ensinou a dominar a bola com o peito, a usar as duas pernas para finalizar, o chute forte de fora da área e o colocado. Sempre que posso, vou ao Itaim Paulista, onde ele ainda mora, para ouvir os conselhos dele. Meu avô continua sendo e sempre será a pessoa mais importante da minha vida.”

Geuvânio só evita falar sobre a brusca queda de produção que sofreu na reta de chegada do Paulista, passando de um dos grandes destaques da competição a um jogador travado, sem confiança. “O importante é que passou. Hoje estou mais maduro e sei como lidar com os momentos de dificuldade. Aprendi bastante e estou preparado”, afirmou ele, sem explicar a crise de choro que teve ao ser substituído na semifinal do torneio estadual, contra o Penapolense.

Oswaldo de Oliveira, ex-técnico santista, inicialmente considerou normal o garoto ficar abalado emocionalmente com a responsabilidade repentina de ser o principal jogador do time. O problema é que Geuvânio voltou a jogar muito mal nas duas partidas finais do Paulista, contra o Ituano. Ele foi substituído no segundo tempo nos dois jogos e, após a perda do título, não conseguiu reagir, mesmo com a atenção especial que recebia do treinador. “O máximo que estou conseguindo fazer é cutucá-lo o tempo todo nos treinos para fazer com que reaja”, confidenciou Oswaldo, pouco antes de ser demitido.

Com a troca de treinador, o atacante parece ter apagado da memória o longo período de baixa e, depois de seis meses, voltou a ser o verdadeiro Geuvânio, aquele dos dribles em velocidade, dos gols, das assistências e das finalizações de um jogador especial.

A vantagem do Geuvânio de agora para o do Paulista é que aquele ficou acima da média da turma na fase de classificação, quando os jogos eram mais fáceis, e “apagou” na hora em que as dificuldades aumentaram. O atual faz o caminho inverso, mostrando um futebol de alto nível no momento em que o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil estão na reta final.

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