Após polêmica, Adidas tira do mercado camisetas com conotação sexual da Copa

Divulgação da linha da empresa alemã causa desconforto no Governo brasileiro

O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2014 | 16h09

SÃO PAULO - Após a polêmica em relação à venda de camisetas nos Estados Unidos com conotação sexual para a Copa do Mundo, a Adidas afirmou nesta terça-feira à tarde que a linha não estará mais à venda em suas lojas. De acordo com a empresa, a opinião dos consumidores é sempre acompanhada de perto. "Os produtos em questão não mais serão comercializados pela marca", divulgou a empresa de material esportivo em nota oficial.

A linha de produtos da Adidas fez com que a presidente Dilma Rousseff declarasse que o País está pronto para combater o turismo sexual durante o Mundial da Fifa. "O governo aumentará os esforços na prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes do Brasil", disse a presidente por meio do seu perfil no Twitter.

Em Zurique, a Fifa tentou se distanciar do caso, insistindo que não se tratava de uma peça promocional da Copa. Segundo a entidade, o produto vendido pela Adidas não era da linha produzida pela empresa com a marca da Copa do Mundo e nem mesmo era uma peça da linha oficial do torneio. De acordo com a entidade, a camiseta era apenas um produto da Adidas EUA e estava sendo vendida apenas no mercado norte-americano.

 

De acordo com a Adidas, a edição das camisetas era limitada e estaria disponível apenas para as lojas nos Estados Unidos. Na loja virtual da empresa, duas camisetas ligadas à Copa no Brasil traziam mensagens de duplo sentido. Uma delas apresenta a frase "Lookin to score", que pode ser traduzida por algo como "em busca dos gols", mas também é uma expressão que significa "pegar garotas".

A outra camiseta coloca um coração amarelo que pode ser enxergado no formato de nádegas de uma mulher com um fio dental verde. Também passa uma mensagem de duplo sentido e fala "Eu amo o Brasil".

A Embratur repudiou a linha da empresa, como fez Dilma. "O governo brasileiro discorda dessa linha de produtos, não aceitamos o turismo sexual. Claro que as pessoas podem namorar durante a Copa, mas não queremos uma mercantilização disso. Acaba sendo, inclusive, um desserviço à própria marca, porque ela está se associando a um tema muito negativo", disse Flávio Dino, presidente da Embratur.

NOTA OFICIAL

O Ministério do Turismo repudia qualquer relação entre os ícones nacionais e imagens com apelo sexual. Tal atitude contraria a política de promoção oficial do país e contribui indiretamente para a prática de crimes, como a exploração sexual de crianças e adolescentes. O Ministério do Turismo, por meio da Embratur, vai formalizar uma reclamação junto à Adidas pela associação que a empresa alemã fez de símbolos nacionais com desenhos de conotação sexual.

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