Wildes Barbosa/EFE
Wendell Lira foi recebido com grande festa em Goiânia Wildes Barbosa/EFE

APÓS PRÊMIO, WENDELL LIRA ESPERA SEQUÊNCIA NA CARREIRA

Atleta do Vila Nova tenta superar fase de desemprego e 'bicos' para se sustentar

Isabela Bonfim - Enviada especial a Goiânia, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2016 | 17h00

Junto com o troféu que ganhou por ter feito o gol mais bonito de 2015, Wendel Lira trouxe da Suíça a convicção de que daqui para a frente vai poder ser só jogador de futebol, sem precisar mais fazer bicos para sustentar a mulher e a filha – como já teve de fazer quando esteve sem contrato com algum clube. Chegou a hora de, enfim, ter uma carreira bem sucedida como parecia que teria quando jogava nas categorias de base do Goiás.

Em 2006, quando tinha 17 anos, ele chamou a atenção de olheiros do Milan. Mas o Goiás não quis vendê-lo, apostando que o menino ainda evoluiria muito e ficaria mais valorizado para ser vendido no futuro.

No mesmo ano, ele foi convocado para defender a seleção brasileira sub-19 na Copa Sendai, um torneio disputado em setembro no Japão. O Brasil foi campeão e ele marcou um gol na campanha. Alexandre Pato, oito meses mais novo, marcou quatro e foi o artilheiro e melhor jogador da competição. Logo depois ele explodiu no Internacional, e no ano seguinte, foi para o Milan.

A explosão que o Goiás – e Wendell também – esperava não aconteceu. Duas contusões sérias no joelho e várias lesões musculares impediram o jogador de confirmar na equipe principal os prognósticos de que se tornaria uma estrela. E em 2012, quando o clube não renovou o seu contrato, ele começou uma peregrinação por times pequenos – a maioria de Goiás.

Wendell começou a viver uma realidade enfrentada pela maior parte dos jogadores brasileiros: tinha contrato para jogar apenas o Campeonato Estadual, porque depois a equipe não tinha outra competição para disputar e desmanchava o elenco.

Nos meses em que não havia campeonato para jogar, Wendell ajudava na lanchonete da mãe e vendia panos com um amigo. A diária de R$ 25 era o valor que lhe permitia comprar o leite e as fraldas da filha Marcela, que tem dois anos e dez meses. "Quando trabalhei com minha mãe tentei ser o melhor vendedor possível. Quando trabalhei dobrando pano, tentei ser o melhor dobrador de pano possível. E quando estou dentro de campo tento fazer o melhor possível também", disse.

Com a camisa do Goianésia, ele fez o melhor possível para acertar a meia bicicleta que o consagraria internacionalmente. O gol mais bonito do mundo foi visto por apenas 342 pessoas numa noite chuvosa no Serra Dourada, mas dez meses mais tarde Wendell colheria os frutos, ao desbancar nada menos que Lionel Messi na cerimônia da Bola de Ouro. "Quando disseram o meu nome passou um filme na minha cabeça de tudo o que vivi. Eu não conseguia levantar."

Ele foi recebido com festa pela torcida do Vila Nova quando voltou ao Brasil, embora ainda não tenha sequer jogado pelo clube. Assinou contrato em novembro e vai estrear dia 31, contra o Goiás, na abertura do Campeonato Goiano.

A vitória de Wendell correu o mundo, mas ele não sabe se sua fama chegou aos ouvidos do seu pai, João Lira Neto, que vive numa região remota do Pará e não tem contato com a família há dois anos. Sua mãe, Maria Edileuza, vive com o segundo marido, Claudino Nepomuceno. E foi a ela, que nas entrevistas sempre repetiu que nunca deixou de acreditar que o filho faria sucesso no futebol, que ele dedicou o prêmio.

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