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Após prêmios e consagração na China, Ricardo Goulart diz que 'escolha foi certeira'

Melhor jogador do último torneio local, meia crê que visibilidade maior com novos astros podem o levar à seleção novamente

Entrevista com

Ricardo Goulart

Vanderson Pimentel, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2016 | 17h00
Atualizado 29 de fevereiro de 2016 | 10h32

Uma transferência de Ricardo Goulart para o exterior era aguardada em 2015 após o meia ser eleito pela segunda vez um dos melhores jogadores do Brasileirão pelo bicampeonato de 2013 e 2014 do Cruzeiro. No entanto, poucos esperavam que o jogador, então com 22 anos e convocado para a seleção brasileira, trocasse os grandes torneios europeus pela China. 

Com uma mala carregada de arroz e feijão e o bolso cheio de yuans (moeda local) após ser vendido por aproximadamente por R$ 48 milhões o atleta não teve dificuldades em se adaptar e conquistou a torcida do Guangzhou Evergrande com gols e assistências que o renderam os prêmios de melhor jogador da Liga dos Campeões da Ásia e do Campeonato Chinês de 2015, juntamente com as taças ganhas pela equipe nas duas competições.

E é com essa bagagem de sucesso na Ásia que ele buscará novamente a glória e a seleção no Campeonato Chinês deste ano, ao lado dos também brasileiros Paulinho, Alan, e do técnico Luiz Felipe Scolari. Ao Estado, o jogador conta que apesar de ter renovado recentemente com o time até 2020, ainda sonha em ir para a Europa e que os recém-chegados devem "cair na real" e ter a consciência de que futebol no país ainda está em processo de evolução.

Como foi sua chegada na China em 2015?

A diretoria do Guangzhou Evergrande veio atrás de mim com uma boa proposta. Pensei bem nela e após avaliar a situação com o meu empresário, achamos que era o momento certo tanto para mim quanto para o Cruzeiro. Cheguei jogando bem, comecei a fazer gols,e as coisas foram fluindo. Minha esposa está bem adaptada também. De vez quando trazemos nossa familia para ficar aqui com a gente, porque não é fácil ficar longe deles. Os costumes dos chineses são totalmente diferentes dos nossos. Na comida foi um pouco complicado no começo, mas depois eu trouxe arroz e feijão e não senti tanta dificuldade nessa parte alimentar.

O que o motivou a ir para a China num momento em que você vivia uma grande fase no futebol brasileiro?

O projeto que eles me apresentaram. Tanto que depois vieram outros grandes jogadores como o Paulinho e o Robinho, e recentemente o pessoal do Corinthans, o Alex Teixeira, e outros jogadores da seleção, e isso não é a toa. O objetivo deles é ter um futebol de alto nível, mas tudo tem um começo. Estamos aqui felizes e participando desse crescimento do futebol aqui.

Há muitas diferenças entre o trabalho do Fabio Cannavaro, que foi o seu primeiro técnico aí, com o do Felipão?

Aqui foi o primeiro clube do Cannavaro como treinador. O Felipão tem uma bagagem como técnico, rodou o mundo inteiro e nós brasileiros estamos gostando bastante. Até mesmo no dia a dia, todos ficamos sempre juntos, e é melhor para compreender o que ele pede para fazermos no campo.

Os atletas chineses vêm evoluindo tecnicamente?

A técnica aqui já melhorou bastante, mas o vigor físico não prevalece só aqui. No mundo inteiro, se o cara não se sobressai na técnica, tem que se destacar fisicamente. Mesmo no Brasil há treinadores que preferem o cara que corre bastante do que o jogador técnico. Aqui o pessoal corre bastante e a técnica está evoluindo.

O que o motivou a renovar recentemente com o Guangzhou até 2020?

Estou me sentindo bem aqui, tenho grandes amigos e isso também me motivou. Eu já falei em outras entrevistas que o futebol da Ásia vai demorar quatro anos para estar em um nível muito alto, porque o processo está começando agora. Mas minha escolha foi certeira. Agora é só manter o nível porque o campeonato vai ficar muito mais difícil, já que vários clubes contrataram grandes jogadores. Isso gera mais disputa e faz com que a visibilidade do torneio também cresça.

Você acredita que o Dunga já acompanhava o Campeonato Chinês?

Creio que ele está acompanhando, e agora vai acompanhar mais ainda. Pegar informação dos clubes, de nós que estamos aqui, vai ligar para o Felipão por exemplo para saber como estamos. Aqui a gente também trabalha forte, para estarmos preparados assim que tivermos uma oportunidade.

Você foi eleito o melhor jogador do Campeonato Chinês e da Liga dos Campeões da Ásia. Qual a sua expectativa individual para esta temporada?

Ano passado foi muito bacana em prêmios individuais, mas ficou para trás. A cobrança agora aumenta com os novos jogadores, então depende do meu esforço e do trabalho do dia a dia. A competição aqui exige também que você esteja preparado. E eu tenho essa cobrança comigo mesmo para ser melhor do que no ano passado.

Você ainda sonha em ir para a Europa?

Sonho sim. Não sai da minha mente isso, mas temos que estar em alto nível. Se a oportunidade aparecer, temos que estar preparados física, técnica e psicologicamente. Se for bom para mim e para o clube, a gente pode se acertar.

Aceitaria uma diminuição salarial para jogar em um centro maior?

Sim, aceitaria. Isso depende do meu momento, do momento em que o clube europeu está passando. Temos que avaliar certinho, mas se as condições forem boas, eu abro mão sim, porque sonho com isso. Tenho idade para jogar lá e trabalhar.

Qual conselho você daria para os jogadores recém-chegados ao futebol chinês?

Tem que focar aqui. Cair na real de que está na China e não ficar 'lá era isso, lá era aquilo'.Aqui tem que se destacar e com trabalho as coisas vão encaixando. Com a família por perto as coisas também ficam a favor, porque você se sente leve.

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