Mike Hutchings/Reuters
Mike Hutchings/Reuters

Após protesto, Camarões viaja ao Egito e vai disputar a Copa Africana de Nações

Elenco reclama de falta de pagamento de bonificação prometida antes do campeonato

Redação, Estadão Conteúdo

21 de junho de 2019 | 13h22

Após se recusar a disputar a Copa Africana de Nações em razão do não pagamento de bônus por participação no torneio por parte da Confederação Africana de Futebol (CAF, na sigla em francês), a seleção de Camarões embarcou de Yaoundé para o Cairo, capital do Egito, e decidiu participar da competição que reúne 24 países.

Atual campeã do torneio, a seleção camaronesa se recusou inicialmente a participar desta edição do evento, que começa nesta sexta-feira com o duelo de abertura entre o anfitrião Egito e Zimbábue, pois a CAF não efetuou o pagamento do bônus antes do início do campeonato. No entanto, nesta sexta, houve um acordo entre as partes e os jogadores decidiram jogar o torneio.

"Não estamos satisfeitos (com a proposta do governo), mas decidimos acabar com todas as negociações relativas aos nossos prêmios", disse o comunicado emitido pelos atletas treinados pelo holandês Clarence Seedorf. Em carta aberta, os jogadores haviam listado oito motivos pelos quais eles não deveriam competir no Egito.

O problema de pagamento está relacionado ao governo camaronês. Um decreto presidencial em vigência desde 2014 diz que todos os pagamentos de bônus por participação devem ser efetuados antes do início de um grande torneio. O ministro do esporte de Camarões, Gabriel Nloga, disse que os atletas receberam um bônus de 20 milhões de francos CFA (aproximadamente R$ 132 mil).

Após as negociações, o Ministério do Esporte concordou em pagar a cada jogador um bônus de 5 milhões de francos CFA (R$ 32 mil), depois que eles vencerem a sua primeira partida no Egito. Os camaroneses estreiam no torneio africano diante de Guiné-Bissau, na próxima terça-feira, na cidade de Ismaília.

Protesto por falta de pagamentos antes de grandes competições não são incomuns para as federações de futebol da África, que alegam que muitas vezes não têm recursos suficientes para pagar altas quantias a seus jogadores. Nigéria e Gana tiveram problemas semelhantes na Copa do Mundo do Brasil, em 2014.

País com tradição no futebol, Camarões seria a sede da Copa Africana de Nações de 2019, mas perdeu no início deste ano o direito de organizar o evento devido a problemas na infraestrutura, como o atraso nas obras para a competição, e na segurança.

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