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Após Raí criticar Bolsonaro, Caio Ribeiro opina: 'Ele tem que falar de esporte'

Comentarista não gostou da entrevista do diretor de futebol do São Paulo sobre o posicionamento do presidente durante a pandemia do novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2020 | 11h44

O ex-jogador e atualmente comentarista Caio Ribeiro criticou a entrevista de Raí, do diretor de futebol do São Paulo, em que fez questionamentos sobre o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia do novo coronavírus e sugeriu até uma "renúncia para evitar o processo de impeachment". Para ele, o dirigente tricolor deveria evitar assuntos políticos.

"Eu não gostei do discurso do Raí, porque ele falou muito pouco de esporte e falou muito sobre política. Ele, por mais que ele fale que é a opinião pessoal dele, ele hoje é o homem forte do São Paulo e as declarações e opiniões que ele emite respingam na instituição. Eu acho que ele tem que falar de esporte. Na hora que ele fala de renúncia, dos hospitais públicos e tudo isso, me parece que ele tem conotações políticas em relação a preferências", afirmou o comentarista, durante participação em programa do SporTV.

A entrevista de Raí foi publicada na última quinta-feira pelo Globoesporte.com. O dirigente do São Paulo falou que o presidente Jair Bolsonaro vem tendo "um posicionamento atabalhoado" e que está "no limite da irrespondabilidade".

"Se perder a governabilidade, torço e espero uma renúncia para evitar o processo de impeachment, que sempre é traumático. Porque o foco tem de ser a pandemia. (O impeachment) não é uma coisa que tem de se pensar agora, energia nenhuma pode ser gasta nisso, mas se estiver prejudicando ainda mais essa crise gigantesca de saúde, sanitária, tem de ser considerado", disse Raí.

Caio Ribeiro concordou com Raí em relação ao retorno dos jogos no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro defende que os times voltem aos trabalhos e tem conversado com pessoas envolvidas no futebol. Para Raí e Caio Ribeiro, o momento é de cautela.

"É bom deixar claro e reforçar que a posição do São Paulo não é voltar rápido. É voltar ao seu tempo, com as orientações, e gradativamente, começando obviamente o treino sem uma data certa de quando o campeonato vai retornar", disse o diretor.

"Me parece que nesse momento, pelo menos o cronograma que foi feito até aqui era um mês de férias, vamos voltar no começo de maio e teremos uma reunião no final de abril para ver se esse calendário será mantido. Gente, está morrendo gente, a curva não achatou. Então tudo bem, vamos adiar mais um pouquinho, vamos esperar essa curva achatar."

"As notícias de ontem e hoje são muito ruins, continua e aumentou o número de mortos. Mas a gente precisa pensar em cenários e trazermos soluções. É isso que eu acho que isso tem que ser debatido. E eu acho que o lado financeiro, por mais cruel que pareça ser o que eu vou dizer, é muito preocupante também. Não é que você tenha que pôr em risco a saúde das pessoas, mas na hora que você não tem trabalho, salário, que você não tem como alimentar sua família, isso vai gerar desemprego, morte, assaltos e uma série de outras coisas", afirmou o comentarista.

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