Divulgação/Fepafut
Divulgação/Fepafut

Após recusa de europeus, frágil Panamá 'salva' data de amistoso da seleção

Equipe da América Central não deve oferecer dificuldades, mas resolve dificuldade da CBF em achar adversários

Ciro Campos, Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

22 de março de 2019 | 04h30

Lanterna da última Copa do Mundo, há quase um ano sem vencer, com treinador recém-contratado e com elenco reduzido e inexperiente. O Panamá que vai enfrentar a seleção brasileira, neste sábado, em amistoso em Portugal, está longe de ser um teste à altura das dificuldades a serem enfrentadas pela equipe de Tite na Copa América.

A equipe do país da América Central ocupa a 76.ª posição no ranking da Fifa, colocação pior do que a de todas as seleções que estarão na disputa da Copa América. O Panamá fechou o Mundial da Rússia com maior goleada sofrida na competição (6 a 1 diante da Inglaterra) e com a pior campanha entre os 32 participantes.

A última vitória panamenha foi em abril do ano passado, em amistoso contra Trinidad e Tobago. Desde então a equipe acumula 11 partidas sem vencer e levou a federação a mudar de planos há cerca de um mês. A decisão foi trocar o comando e escolher o interino Julio Dely Valdés, ex-atacante, ídolo do futebol local e que pela terceira vez assume o posto.

"Sabemos da dificuldade que é jogar contra o Brasil. Além do resultado, devemos nos sentir bem. Vamos jogar com respeito, mas sem medo. Vamos buscar mostrar nosso potencial", disse o técnico, conhecido no país pelo apelido de Panagol.  

O treinador chamou para o amistoso com o Brasil uma lista reduzida de jogadores. Em vez de 23 nomes, como fez Tite, o panamenho vai contar apenas com 18 atletas. Dez deles estiveram na Copa da Rússia e nenhum atua em grandes ligas. O único que joga em um país mais renomado, a Espanha, defende um clube da quarta divisão.

A comissão técnica também é pequena e tem apenas 14 profissionais – a seleção brasileira conta com mais de 20 membros. O treinador tem como assistente técnico o seu irmão gêmeo, Jorge Dely Valdéz, também ex-jogador. 

O contrato do novo técnico vai apenas até a realização dos Jogos Pan-Americanos, em Lima, em julho e agosto. Em junho o Panamá vai disputar a principal competição do ano, a Copa Ouro, e até lá quer se preparar em amistosos contra rivais mais fortes do que os adversários diretos das américas Central e do Norte.

Enquanto o Brasil terá outro compromisso, na terça-feira, contra a República Checa, os panamenhos se reuniram apenas para o amistoso de sábado. "Vamos competir em busca de fazer o nosso jogo. Sabemos do potencial do Brasil", disse o goleiro Luis Mejía, que joga no Nacional, do Uruguai. 

Os panamenhos estão hospedados no Porto em um hotel distante do centro. A equipe realizou os treinos em estádios de times amadores e na sede do time B do Porto. "Nós temos evoluído. Temos que se seguir acreditando nos jogadores panamenhos e por isso estamos aqui. É questão de lapidar os jogadores. Eles têm cada vez mais talento", comentou o técnico.

Brasil e Panamá têm em comum um algoz. A Bélgica derrotou a ambos na Copa. Antes de eliminar a seleção de Tite, nas quartas, a equipe belga estreou na Rússia com a vitória por 3 a 0 sobre os panamenhos.

CBF DIZ QUE SELEÇÕES RECUSAM O BRASIL

O coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, garante que não há no mundo seleções dispostas a enfrentar o Brasil em amistosos. Ao Estado, ele mostrou uma planilha mapeando as competições dos continentes e o calendário das equipes. Na lista estavam as agendas de possíveis rivais da Conmebol, Uefa, Concacaf, África, Ásia e Oceania.

De acordo com Edu, a CBF mapeia ainda os jogos do futebol brasileiro com a intenção de não prejudicar clubes que estejam disputando partidas decisivas, embora Tite não tenha nenhuma prerrogativa para não convocar os melhores para a seleção.

A dificuldade de encontrar adversário fortes e à altura do Brasil é antiga. "Tentamos amistosos contra rivais fortes da Europa, por exemplo, mas ninguém quer jogar contra o Brasil, mesmo aqueles que estão com datas livres", diz Gaspar. A justificativa diz respeito a possíveis derrotas. "As seleções da Europa têm compromissos em torneios regionais e eliminatórias para a Eurocopa. Quando estão livres, não querem encarar o Brasil porque sabem da possibilidade de derrota e, assim, podem perder moral para jogos oficiais." Edu revela que a Alemanha aceitou jogar e depois mudou de ideia. Sobram os times mais fracos, menos tradicionais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.