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Pedido de sócio faz Manssur e Oliveira serem investigados internamente no São Paulo Montagem/Estadão

APÓS REQUERIMENTO, SÃO PAULO INVESTIGA DOIS DIRIGENTES

Clube realiza trabalho interno para apurar suspeita de ligação com empresário

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2016 | 07h00

O São Paulo começa 2016 com dois dirigentes investigados internamente, em novo capítulo do racha político do clube. A comissão de auditoria do Conselho Deliberativo apura a suspeita levantada por um sócio de conflito de interesses na atuação do vice-presidente de comunicações e marketing, José Francisco Manssur, e do diretor executivo de futebol, Gustavo Oliveira em anos anteriores.

O Estado teve acesso ao requerimento entregue ao Conselho na última reunião, em dezembro. De acordo com o documento, a dupla foi sócia de um escritório de advocacia entre 2008 e 2013. Um dos clientes da empresa é o empresário Eduardo Uram, responsável por agenciar pelo menos dez jogadores que atuaram pelo clube nas últimas três temporadas, como Cícero, João Filipe, Juan, Cortez, Welliton, Maicon e Bruno.

O conteúdo do requerimento inclui uma planilha de pagamentos de R$ 15,9 milhões do São Paulo ao Tombense (MG), clube que tem Uram como principal investidor e que registra os jogadores agenciados por ele. O levantamento mostra dados de dezembro de 2011 a abril de 2014, apesar de outros jogadores do empresário terem sido contratados antes e depois desse ínterim.

Nesse intervalo Manssur atuou como assessor especial da presidência de Juvenal Juvêncio, falecido mês passado. Já Gustavo Oliveira assumiu o cargo de diretor de futebol pela primeira vez em agosto de 2013, data em que, segundo o escritório, deixou a sociedade para assumir o cargo no São Paulo.

O presidente do Conselho Deliberativo do clube, Marcelo Pupo Barboza, disse que não poderia citar os nomes dos envolvidos, mas confirmou o requerimento. "Realmente tem um material que contesta a relação entre um diretor e um funcionário que poderia criar um conflito de interesses em outra relação deles com um empresário de futebol", afirmou.

O pedido de investigação foi protocolado pelo ex-diretor jurídico adjunto do clube, José Marcelo Previtalli e assinado por cerca de 15 membros da oposição, entre sócios e conselheiros. "O conflito de interesses é algo do mundo da ética. Quem atua no São Paulo não pode defender o Uram ainda que seja em outro caso, porque está com dois clientes", explicou. Uram não retornou os pedidos de entrevista.

O requerimento inclui uma procuração assinada por Uram para que o escritório o defendesse em 2013 em uma ação contra o Vasco para pagamento de comissão. Há ainda uma relação de dez processos em que a empresa dele, a Brazil Soccer, foi representada por um advogado sócio de Manssur e Oliveira em disputas judiciais contra Flamengo e Botafogo.

EXPLICAÇÃO

Em nota, o São Paulo explicou que o escritório jamais prestou serviços ao clube, mas que foi contratado por Uram em junho de 2012 para cuidar de variados processos e não de negociações.

O São Paulo afirmou que a maioria dos atletas agenciados por Uram e contratados para o time chegou antes de o empresário firmar acordo com o escritório. Segundo o clube, entre o início da prestação de serviços e a saída de Oliveira da sociedade, somente Aloísio e Roger Carvalho reforçaram o elenco.

Na última reunião do Conselho Deliberativo, Manssur entregou voluntariamente suas declarações de Imposto de Renda e notas emitidas pelo escritório para ajudar na apuração. Na ocasião, o vice de marketing discursou e explicou o caso.

Segundo pessoas próximas a Manssur, o requerimento se insere no contexto de divisão política do clube. Aliado de Juvêncio, o dirigente enfrenta a resistência de antigos adversários políticos no clube.

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Diretoria do São Paulo afirma que contratos já seriam apurados

Segundo o clube, auditoria estava marcada antes mesmo de pedido

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2016 | 07h00

A entrega dos documentos ao Conselho Deliberativo não representa efeito prático, segundo o São Paulo. De acordo com o departamento de comunicação do clube, como a atual diretoria já havia determinado uma auditoria de contratos antigos, o requerimento não altera os trabalhos.

Poucas semanas após ganhar a eleição de outubro e assumir a presidência do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ordenou que uma auditoria revisasse todos os contratos antigos feitos pelo clube nos últimos cinco anos. O trabalho ficará a cargo de uma empresa externa contratada e que foi sugerida pelo empresário Abílio Diniz.

Para membros da oposição, mesmo que a análise já estivesse prevista, o requerimento representa um apelo mais forte, por se tratar de um pedido de investigação e não apenas de auditoria. 

O requerimento pede para que sejam detalhados os pagamentos ao Tombense, à empresa de Eduardo Uram e ao escritório de advocacia citado no material.

A comissão de auditoria do São Paulo tem oito membros. De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo Barboza, como o requerimento e os quatro anexos com contratos e tabela de repasses foram entregues há pouco tempo, a apuração está em fase preliminar. Ainda não há prazo para o fim do procedimento.

Dias antes da entrega do requerimento, o ex-presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, havia comentado o assunto em entrevista ao jornal Diário de S. Paulo. "O São Paulo pagou (em 2014) R$ 9,5 milhões ao Tombense, clube que é ‘barriga de aluguel’ do Eduardo Uram".

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