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Após reunião na CBF, novo calendário do futebol brasileiro fica para 2015

Movimento Bon Senso FC admite que prazo é curto para mudanças serem adotadas já no ano que vem

Leonardo Maia, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 18h05

RIO - A CBF realizou na tarde desta segunda-feira uma reunião com representantes dos clubes, dos jogadores e da TV Globo, que detém os direitos de transmissão dos principais campeonatos nacionais, para discutir mudanças no futebol brasileiro. Ficou decidido que o novo calendário será adotado a partir de 2015, porque não existe margem para alterações no ano que vem, quando acontecerá a Copa do Mundo no Brasil. Responsável por levantar a discussão, ao reclamar do excesso de jogos e da falta de pré-temporada adequada, o movimento Bom Senso FC, que reúne os principais jogadores do futebol brasileiro, esteve presente na reunião desta segunda-feira, na sede da CBF, no Rio. E aceitou que mudanças no calendário aconteçam a partir de 2015, por entender que não daria mesmo para alterar as datas no ano que vem.

"Quando a gente começou a discussão, já sabia das dificuldades para 2014, mas tinha que começar em algum momento", reconheceu o meia Alex, do Coritiba, um dos representantes do Bom Senso que compareceu à reunião - os outros jogadores presentes nesta segunda-feira na CBF foram Seedorf (Botafogo), Paulo André (Corinthians), Alessandro (Corinthians), Fernando Prass (Palmeiras) e Juan (Inter). "Para 2015, não tem discussão: são 30 dias de férias e 30 dias de pré-temporada. Não tem mais jogo em janeiro. Isso é certo. Mas, para 2014, seria até covardia pensar em mudança com uma parada de 40 dias da Copa do Mundo", afirmou o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil. Vale ressaltar, porém, que algumas federações estão adiando em uma semana o começo dos campeonatos estaduais do ano que vem.

Além de Kalil, Eduardo Bandeira de Mello (Flamengo), Vilson Ribeiro Andrade (Coritiba), João Bosco Luz (Goiás) e Mário Gobbi (Corinthians) foram outros presidentes de clube que compareceram à reunião. O encontro ainda teve o anfitrião José Maria Marin, presidente da CBF, Marco Polo del Nero, vice-presidente da CBF, e Marcelo Campos Pinto, executivo da TV Globo, entre outros dirigentes. Outro tema de discussão foi a adoção do "fair-play financeiro", que prevê punição para os clubes que tiveram atraso no pagamento de impostos e salários. Nesse caso, porém, a conversa ainda está longe de um final, porque envolve também o governo federal. "Essa é uma questão mais complexa. Ninguém quer perdão de dívida. Só queremos uma forma viável de pagar as dívidas do passado", disse Kalil.

Agora, novas reuniões devem ser agendadas no futuro, para que todas as partes possam avaliar as mudanças na gestão do futebol no Brasil. "Hoje foi uma vitória do futebol brasileiro, quebramos um paradigma, fomos recebidos pela CBF, pelos representantes dos clubes. Mas não tem nada resolvido, ainda tem muitas conversas pela frente para discutir as questões", explicou Alex. Após a reunião, a CBF divulgou um comunicado oficial.

NOTA OFICIAL

Como tem sido amplamente divulgado, a CBF realizou em sua sede, no dia 28 de outubro corrente, reunião com representantes de diversas entidades do futebol brasileiro, para examinar alguns assuntos importantes para o esporte. Os debates então ocorridos foram relevantes e proveitosos, pois sob condução da CBF, sensível às aspirações dos diversos agentes envolvidos com a prática de futebol, chegou-se às seguintes conclusões:

a) férias dos jogadores – desde o ano de 2005 (primeiro ano do calendário permanente) as férias dos jogadores nunca deixaram de ser gozadas no período de 30 dias seguidos. No ano de 2013, também será observado o regime de 30 dias de férias, apesar das dificuldades inerentes ao ano de 2014, em que o calendário do futebol brasileiro estará muito prejudicado, em função da Copa do Mundo que será disputada, no Brasil, no período de 12 de junho a 13de julho de 2014;

b) pré-temporada – o período de pré-temporada somente será diminuído em 2014, em função da Copa do Mundo. Apesar disso, no ano de 2014, será implantado um período capaz de propiciar o treinamento dos times e a preparação das equipes antes do início da temporada. A partir de 2015, o período da pré-temporada deverá ter a duração de 30 dias;

c) quantidade de partidas num período de 30 dias – a esmagadora maioria dos clubes não joga mais de 7 vezes em 30 dias, salvo com relação àqueles que chegam às finais da Copa do Brasil e das Copas Continentais (Libertadores e Sul Americana). Em 2013, houve um maior número de meses em que se jogou 8 vezes em razão da parada de 30 dias durante a Copa das Confederações, fato este que se repetirá em 2014 quando haverá novo período de recesso de 45 dias, com a interrupção de todas as competições, em virtude da disputa da Copa do Mundo, no Brasil;

d) limitação da quantidade anual de partidas – visando à obtenção de melhor rendimento esportivo dos atletas, de maneira a que possam atuar com pleno aproveitamento, a CBF estabelecerá um limite máximo anual de jogos com o objetivo de evitar um excessivo desgaste físico dos jogadores.

e) fair play financeiro - a CBF já cuidou de organizar Grupos de Trabalho destinados a estudar as medidas para esse fim, que serão repassadas a clubes e Federações. Será desenvolvido sistema de punições aos clubes baseado em restrições operacionais, com abandono do critério apenas financeiro das penalidades, o qual, entretanto, somente poderá ser implementado a partir da celebração de acordo com o Governo que propicie o parcelamento da dívida fiscal dos clubes. Como é de conhecimento geral, a CBF vem se empenhando junto aos poderes da República no sentido de ser regularizado o passivo tributário dos clubes brasileiros. Isso será muito dificultado e talvez inviabilizado se os clubes não mostrarem terem implantado estritas normas de responsabilidade fiscal, que possam inspirar confiança aos gestores públicos.

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