Janaína Ribeiro/AAN
Janaína Ribeiro/AAN

Após ser leiloado, Brinco de Ouro vira arma do Guarani

Mais de 16 mil ingressos foram comprados de forma antecipada até a manhã de sexta-feira

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 07h00

"Brinco de Ouro, a nossa taba, construída com devoção". Essa frase do hino mostra a importância do Brinco de Ouro da Princesa para o Guarani. Estádio que chegou a ir para leilão em 2015 por conta das dívidas - giravam em torno de R$ 250 milhões - do clube. Agora, o local vira a arma bugrina para conquistar um grande resultado diante da rival Ponte Preta, no tradicional dérbi campineiro, marcado para as 19 horas deste sábado, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.

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Fundado em 1953, o Brinco já recebeu 52.002 pessoas em abril de 1982, quando o Guarani foi derrotado pelo Flamengo, por 3 a 2, pela semifinal do Campeonato Brasileiro. Em dérbi já recebeu 34.222 torcedores no dia 30 de janeiro de 1980 para uma vitória da Ponte Preta, por 1 a 0. Mas, curiosamente, o maior público do dérbi foi registrado na única vez em que foi disputado fora da cidade. Ocorreu no dia 3 de junho de 1979 no Pacaembu diante de 38.948 pessoas e com vitória do Guarani por 2 a 0.

Agora, por conta de algumas reformas que precisaram ser realizadas, principalmente no tobogã, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) libera o estádio para receber no máximo 18.170 torcedores. E esse deve ser o público do dérbi 191. Mais de 16 mil ingressos foram comprados de forma antecipada até a manhã de sexta-feira.

Devido as dívidas do clube, o Brinco de Ouro foi para leilão e, em 2015, acabou sendo arrematado pela Maxion Empreendimentos por R$ 105 milhões. No entanto, a Justiça acabou cancelando a ação porque a lei determinava que o valor pago não poderia ser menor que o da avaliação de peritos. Antes, a Justiça Federal avaliou em R$ 410 milhões a área ocupada pelo estádio.

Foi aí que apareceu a Magnum. Patrocinadora do clube em 1994, a empresa comandada por Roberto Graziano comprou o Brinco de Ouro, onde pretende construir edifícios comerciais, além de um hotel. No acordo, Graziano ainda assumiu todas as dívidas trabalhistas do clube, prometeu investir R$ 350 mil por mês no futebol durante dez anos, ajudar na construção de uma arena com capacidade para 20 mil pessoas, além de um centro de treinamento e uma sede social. Até que sejam cumpridas todas estas obrigações, o estádio pertence ao clube.

O acordo foi muito importante para que o Guarani conseguisse se reerguer dentro do cenário nacional, tanto que em 2016 conquistou o acesso para a Série B do Brasileiro e recentemente, em abril de 2018, retornou à elite do Paulistão ao se sagrar campeão da Série A2. E o Brinco de Ouro vem sendo uma das principais armas do time.

Em 2018, o Guarani fez dez partidas como mandante e acumulou oito vitórias, além de um empate e apenas uma derrota. Nas semifinais e finais da Série A2 recebeu públicos superiores a 16 mil torcedores.

Neste sábado, o Brinco de Ouro da Princesa vai acolher o seu 63.º dérbi e os números são bem equilibrados. O alviverde tem 16 contra 15 vitórias do alvinegro, além de 29 empates.

O último dérbi, inclusive, foi realizado no Brinco de Ouro. Em fevereiro de 2013, pelo Campeonato Paulista, a Ponte Preta levou a melhor e venceu por 3 a 1. Agora, os bugrinos buscam a reabilitação, enquanto os pontepretanos tentam igualar ao número de vitórias atuando no estádio do seu maior rival. O desafio está lançado.

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