Eric Feferberg/EFE
Eric Feferberg/EFE

Após título na Rússia, seleção da França é recebida com festa em Paris

Jogadores e comissão técnica foram festejados desde que o avião da delegação pousou na pista do aeroporto Charles de Gaulle

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2018 | 16h14

Uma multidão compacta, estimada em mais de um milhão de franceses, amassou-se ao longo de mais de cinco horas na tarde desta segunda-feira para receber os bicampeões da Copa do Mundo da Rússia. Menos de 24 horas após o título, conquistado com uma vitória sobre a Croácia por 4 a 2, o time de Didier Deschamps foi aclamado na Avenida Champs-Elysées aos gritos eufóricos de duas gerações de torcedores, uma que conheceu a equipe de Zinedine Zidane em 1998, e outra que reverencia um novo ídolo: Kylian Mbappé.

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A viagem de retorno dos Bleus começou no final da manhã em Moscou. Desde então toda a expectativa em Paris se voltava à chegada dos campeões no Aeroporto Charles De Gaulle. Com atraso de uma hora, o voo que trouxe a seleção chegou à pista, recebendo uma salva de jatos de água. Nesse momento, o centro da capital, as imediações do Arco do Triunfo já estavam tomadas pela multidão, que aguardava pelo desfile de carro aberto.

Diferentemente da carreata realizada em 1998, quando o ônibus da equipe levou quatro horas para cruzar a avenida em meio à multidão, a pedido do técnico Didier Deschamps - que estava entre os campeões, como jogador, há 20 anos - o desfile foi melhor organizado. três pistas da principal avenida do país foram isoladas por soldados armados. Por ali, o ônibus circulou por volta das 19h. Durante cerca de 20 minutos, os campeões foram ovacionados pelos torcedores, sob as cores azul, branco e vermelho deixada nos céus por aviões da Patrulha da França, a Esquadrilha da Fumaça francesa, que cruzou a Champs-Elysées para delírio da multidão.

Em meio à espera, pais, filhos, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres, brancos, negros, descendentes de árabes ou asiáticos, espremeram-se sobre os paralelepípedos da avenida para saudar os campeões. "Eu estou fascinado pelo que estamos vivendo. Nunca tinha visto nada igual", disse o estudante Gabriel Legrand, 19 anos. "Para a minha geração, 1998 era uma história linda, que nunca tínhamos vivido e que queríamos viver. Agora está feito."

Adolescente quando da vitória em casa há 20 anos, o engenheiro Philippe Dubois, 45 anos, tirou a gravata, mas encarou o sol forte de verão em terno e calça para reviver a alegria que experimentou na Champs-Elysées quando da passagem de Zidane e companhia quando do primeiro título. Hoje, diz ele, a França faz parte dos grandes do futebol mundial. "Por muitos anos, nós fomos apenas uma boa equipe, mas incapaz de vencer uma Copa do Mundo mesmo quando tínhamos grandes craques", lembrou, referindo-se ao time de Michel Platini nos anos 1980. "Aí veio 1998, Zidane e tudo mais, e aquele sonho incrível terminou com a vitória mágica sobre o Brasil. Hoje vem uma nova geração, com Mbappé, que nos diz: somos um dos países do futebol."  

 

Passado o cortejo nas ruas, os jogadores foram recebidos pelo presidente da França, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. Em uma atmosfera de grande festa, centenas de convidados os aguardavam nos jardins da sede do governo. Entusiasmado, Macron tomou a palavra. "Quero apenas dizer três coisas: um, obrigado. Obrigado ao presidente da FFF, ao técnico, aos jogadores e a toda a equipe. Obrigado por nos trazer essa taça, obrigado por nos deixar orgulhosos, por terem suado a camisa", reiterou o presidente. 

"A segunda coisa, é que essa equipe é bela porque é unida. Não mudem. A terceira coisa: não esqueçam nunca de onde vocês vêm", completou, referindo-se aos clubes que os formaram, aos seus técnicos de categorias de base e aos seus pais, "que não mediram esforços".

Descontraído e liderando o grupo de jogadores, Paul Pogba puxou gritos de torcida. "Eu ouvi dizer que nós somos campeões do mundo. É verdade isso?", brincou, iniciando o canto: "Nós vamos quebrar tudo! Nós quebramos tudo!".

 

 

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