AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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Após tragédia em Paris, segurança vira tema central para Eurocopa

Amistoso entre França e Inglaterra, em Wembley, está confirmado

O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2015 | 10h34

Desde o ataque à sede do jornal francês Charlie Hebdo em janeiro deste ano, o tema segurança tornou-se a principal preocupação do Comitê Organizador da Eurocopa 2016, que será disputada na França entre 10 de junho e 10 de julho de 2016. Após os atentados terroristas que deixaram mais de 100 mortos em Paris, na sexta-feira, o assunto volta a ser debatido na Europa. 

"Os atentados de janeiro mostraram que o risco é mais agudo, mas isso não muda o fundamental. Desde janeiro, nós realizamos uma reavaliação dos riscos. A terrível tragédia de sexta-feira tem o mesmo efeito. O método não muda, o que muda é a gravidade do risco. Nós vamos tirar lições dos últimos acontecimentos para o planejamento preventivo e operacional", garantiu Jacques Lambert, presidente do Comitê Organizador da Eurocopa para a Agência France Presse (AFP).

O presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Noël Le Graët, reconheceu ao jornal francês L'Equipe que há uma inquietação para a realização da Eurocopa 2016 e que hoje essa agitação está mais forte. Com 51 jogos distribuídos em dez estádios (Paris, Saint-Denis, Lille, Lens, Lyon, Bordeaux, Saint-Etienne, Toulouse, Marselha e Nice) e com a estimativa de 8 milhões de visitantes em solo francês, o torneio continental aparece como possível alvo de novas ações de terroristas. 

Em setembro, um protocolo de segurança foi assinado entre o Estado e a FFF. O acordo esclarece os responsáveis pela segurança durante a competição. Os estádios, os campos de base, os hotéis das seleções e dos membros da Uefa são de responsabilidade do organizador, enquanto o Estado deve cuidar da segurança no entorno desses locais. 

A realização de fan fests, espaços públicos usados para reunião de torcedores e curiosos durante os jogos e para diversas atrações de entretenimento, na Eurocopa é um impasse. A rádio francesa RTL divulgou que o financiamento desse tipo de espaço de convivência sofreu atraso em algumas cidades, já que os municípios estão preocupados com a segurança, confiada a agências de segurança privada.

SELEÇÃO FRANCESA

A seleção francesa já está em Londres, onde participa de um amistoso com a Inglaterra, em Wembley, na terça-feira. Apesar do abalo psicológico dos jogadores pela tragédia em Paris, o presidente da FFF garantiu a realização da partida. 

"Nós jogaremos conta a Inglaterra. Nunca entrou em questão cancelar esse jogo. Nós estaremos em Wembley como previsto, não há qualquer mudança na programação. O futebol não pode parar", disse Noël Le Graët ao canal de televisão francês BFM. Para o dirigente, o amistoso transmitirá a mensagem de que a vida segue e que a França continua forte. 

A Inglaterra também promete mostrar sensibilidade. Atendendo a um pedido da Federação Inglesa de Futebol (AFA), os telões de Wembley exibirão a letra da Marselhesa, hino francês, para os torcedores cantarem em homenagem às vítimas dos atentados em Paris.

 

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