Após tragédia, garotos fazem Chapecoense voltar à rotina do futebol e viajam para disputar a Copinha

Após tragédia, garotos fazem Chapecoense voltar à rotina do futebol e viajam para disputar a Copinha

Atletas da categoria de base viajam neste domingo, de ônibus, em trajeto que deve durar 19 horas

Luis Lopes, em Chapecó, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2017 | 07h00

A Chapecoense volta a respirar futebol neste domingo, no primeiro dia do ano, quando 20 garotos das categorias de base do clube embarcam para a cidade de Porto Feliz, no interior paulista, para a disputa da 48.ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na bagagem, o sonho de ajudar na reconstrução da equipe após o trágico acidente aéreo que deixou 71 mortos – 19 deles pertenciam ao elenco profissional do clube catarinense.

A viagem da garotada da Chape será feita de ônibus por conta do baixo orçamento e deverá durar pelo menos 19 horas. O primeiro desafio do time será nesta terça-feira, às 16h, contra o Nova Iguaçu/RJ. O último treino intensivo foi realizado nesta sexta-feira (30/12). A preocupação é manter a equipe sub-20 focada no resultado, por isso um intenso trabalho psicológico e de assistência social do clube, que envolve também outras instituições, está sendo realizado desde que os garotos receberam a notícia do acidente com o avião da LaMia.

Outro apoio importante vem das famílias dos atletas. Para o pai do atacante Tiago Pato, de 17 anos, que está na Chapecoense desde maio de 2016 (antes jogava no Avaí), e que também viaja para SP neste domingo, o momento acaba sendo de bastante exposição, uma “vitrine” que exige resultado.

“Ele se espelha muito nos jogadores que perderam a vida no acidente e nesse momento eles sentem essa responsabilidade de representar bem o clube. O Tiago ainda está se recompondo disso tudo, mas ao mesmo tempo está bastante focado. A gente tenta passar muita sabedoria para que ele possa enfrentar bem esse desafio e trazer um bom resultado”, diz.

Pensando no foco dos atletas e no assédio da imprensa por conta do primeiro desafio após o acidente, uma espécie de “blindagem” foi preparada para evitar distanciamento do objetivo, que é voltar de São Paulo com a vitória. Mas o que impressiona a direção é a maturidade dos atletas.

“É claro que todos ainda sentem muito tudo o que aconteceu e o próprio fato de jogar na Chape nesse momento já é, por si, uma pressão. O nosso ciclo de formação é em 2017 e eu vejo que a cabeça da maioria deles já está preparada e, mesmo que involuntariamente, eles já tomaram para si a responsabilidade de dar conta”, diz Cezar Dal Piva, o Mano, diretor das Categorias de Base da Chapecoense.

Mesmo sendo resultado de uma tragédia, os meninos das categorias de base vivem um momento de oportunidades, principalmente para quem está começando a carreira nos gramados.

“Hoje a gente tem um elenco bem jovem, formados nas escolinhas da Chapecoense e alguns com idade para disputar a Copa São Paulo foram incluídos no grupo principal do profissional, onde eles vão ficar fazendo a pré temporada com o técnico Vagner Mancini” diz o treinador da equipe sub-20, Emerson Cris.

Entre os nomes estão os dos zagueiros Hiago e Guarapuva, o lateral esquerda Gabriel e o atacante Perotti, que já integram o grupo profissional.

A Chapecoense começa na terça-feira a sua terceira participação na Copinha, também com o desafio de superar os resultados dos dois anos anteriores, quando a disputa não passou da primeira fase para o time do oeste de Santa Catarina.

Os garotos seguem motivados e dispostos a mostrar toda a força de um clube que está em reestruturação em uma partida emblemática, onde a confiança no resultado positivo tem um significado amplo.

O incentivo da direção do clube é tentador, segundo a Chapecoense, “todos os atletas que irão para a Copinha tem condição de integrar a equipe titular” afirma Cezar Dal Piva. Uma carreira profissional em um time de serie A conhecido no mundo inteiro.

“Que garoto não sonharia com isso? A nossa força, o nosso apoio e o nosso coração, o coração e o respeito de milhares de torcedores que a Chapecoense conquistou pelo mundo a fora viaja com eles. Não é pouco para um menino de 16, 17 anos de idade”, afirma o torcedor Evandro Cordeiro que acompanha os jogos.

30 GRUPOS

A Copa São Paulo de Futebol Junior vai reunir 120 times, distribuídos em 30 grupos que ficam em 29 cidades-sede – São José dos Campos abrigará dois grupos. O primeiro colocado de cada grupo passa para a segunda fase, bem como os demais times com mais pontos na segunda colocação geral. No grupo da Chapecoense, além do Nova Iguaçu /RJ, estão o Sampaio Correia/MA e o Desportivo Brasil/SP todos com jogos disputados em Porto Feliz.

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