Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Cesar Greco/Ag. Palmeiras

Após vinte anos, Palmeiras repete roteiro em busca do bi na Libertadores

Aposta no técnico Felipão, manutenção dos principais jogadores e sequência de participações são trunfos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2018 | 04h30

Vinte anos depois da conquista da única Libertadores de sua história, o Palmeiras repete o roteiro em busca do bicampeonato em 2019. O clube aposta na manutenção do técnico Luiz Felipe Scolari, campeão em duas edições do torneio, trabalha nos bastidores para manter o time-base apesar do assédio dos chineses e confia nas seguidas participações na disputa para deixar o time calejado e chegar ao título mais uma vez. 

O primeiro passo da diretoria foi apostar de novo no treinador que já levantou a taça. Luiz Felipe Scolari é conhecido por ser um técnico copeiro, especialista em torneios no formato mata-mata e que foi campeão com o próprio Palmeiras (1999) e com o Grêmio (1995). Nas cinco vezes em que chegou à semifinal da competição, o técnico passou em três ocasiões. A conquista do título brasileiro recolocou o veterano de 70 anos no cenário internacional, como comprovam as sondagens que recebeu da seleção colombiana e também do Boca Juniors. 

Para Francisco Arce, lateral do Palmeiras em 1999 e hoje treinador, Felipão mantém a força daquela época. “Ele era um treinador protetor e conhecedor do elenco, inclusive da nossa vida pessoal. Hoje, ele está com mais sabedoria por ter passado por situações boas e situações ruins ao longo da carreira”, diz o paraguaio que atuou em todos os jogos da campanha vitoriosa, marcando três gols. 

Na visão da diretoria, outro trunfo importante é a sequência de participações. Será a quarta vez seguida que o time alviverde disputará o torneio da Conmebol. Isso nunca havia acontecido antes na história do clube. O recorde anterior pertencia à era Parmalat, quando o Palmeiras disputou o torneio em três edições seguidas (1999, 2000 e 2001). Além disso, a extinta Copa Mercosul de 1998 (hoje Copa Sul-Americana) serviu como laboratório para a conquista da Libertadores no ano seguinte. 

Nesse sentido, a queda diante do Boca Juniors, nas semifinais do torneio deste ano, pode trazer lições para 2019. “Nosso time foi se formando e se consolidando ao longo do tempo. Por isso é sempre importante disputar os grandes torneios. O time vai ficando mais experiente naquele tipo de competição”, diz o ex-zagueiro Roque Junior, outra figura importante daquela conquista de 1999. Hoje, ele atua como diretor de futebol da Ferroviária, em Araraquara. 

O meia Alex, craque do time de 20 anos atrás, concorda. “Alguns jogadores passaram pelas disputas de 2017 e também pela de 2018. Isso faz diferença. Hoje, eles estão muito mais preparados”, diz o ex-atleta, que fez quatro gols no torneio de 1999. 

Objetivo declarado da principal patrocinadora do clube em função da projeção internacional e das receitas que ela proporciona, a Libertadores orienta os principais planos da diretoria. A manutenção de atletas importantes, como Dudu e Bruno Henrique, é uma prioridade. Dos quatro principais clubes de São Paulo, o Palmeiras é o que amarga o maior jejum sem títulos da Copa Libertadores – retrospecto minimizado pelas conquistas nacionais. 

“Precisamos de um elenco muito competitivo, lembrando que a Libertadores vai até o fim do ano, em paralelo ao Brasileiro e à Copa do Brasil. Temos de fazer o que fizemos em 2018, a variação na escalação. Aí, é por conta do Felipão, que sabe fazer isso como ninguém”, disse o presidente Maurício Galiotte no sorteio que definiu os dois dos primeiros rivais: San Lorenzo e Junior Barranquilla. 

 

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