Aposentado tenta rasgar alvará de soltura

O episódio da prisão de Leandro Desábato atraiu a atenção de centenas de pessoas na porta das duas delegacias onde o jogador ficou detido e provocou discussões e manifestações de condenação ou solidariedade ao argentino. A mais ríspida das iniciativas foi do aposentado Israel Laércio Ardre, de 64 anos, que tentou tomar o alvará de soltura das mãos do oficial de Justiça, para rasgá-lo. "Queria rasgar o papel para segurar (Desábato) um pouco mais na prisão, pelo menos mais algumas horas", disse o aposentado. "O que ele fez, não se faz. Eu sinto racismo na pele", completou. A tentativa foi justamente quanto o oficial de Justiça entrava no 13.º Distrito Policial (Casa Verde) para executar a ordem de libertação do jogador. Já o advogado e ex-jogador de futebol Oswaldo Martins de Oliveira, o Vadão, de 56 anos, perseguiu Desábato durante todo o dia de hoje, mas para apoiá-lo. "Vim prestar minha solidariedade a um companheiro. Comprei dois pastéis, um de queijo e um de carne, e um copo de caldo de cana bem gelado para entregar a ele, já estive na cadeia e sei como é difícil", afirmou Vadão. "E a garapa foi analisada: é sem doença de Chagas." Vadão, que foi goleiro do Palmeiras e da Portuguesa nos anos 1970 e atuou também no Rosario Central, da Argentina, e no Puebla, do México, tentou visitar Desábato na carceragem da delegacia, mas foi impedido. Após a libertação, seguiu a comitiva até o Fórum Criminal da Barra Funda, onde o argentino teve de comparecer para audiência com o juiz Marcos Alexandre Coelho Zilli. Dentro do fórum, onde tinha livre circulação por ser advogado, conseguiu entregar os presentes. "Ele foi muito educado e me agradeceu com um aperto de mão." O ex-jogador, que treinou Edinho, filho de Pelé, após abandonar a carreira, discordou veementemente da detenção do argentino. "A prisão extrapolou. O problema foi dentro de campo. O campo é uma guerra, tinha que ser resolvido lá dentro", disse Vadão. "Eu joguei contra o Pelé. Os zagueiros o chamavam de negão fedido. Ele fazia sinal para que esperassem e, depois, respondia com gols. Ou, se os caras bobeassem, ia lá e dava uma entrada feia neles."

Agencia Estado,

15 de abril de 2005 | 20h11

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