Aranha faz vídeo contra o racismo e Santos pensa em ato conjunto

Goleiro pede o fim da discriminação e clube estuda uma campanha ao lado do Grêmio, no jogo de volta, em repúdio à atitude da torcida 

Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2014 | 18h38

O Santos quer organizar um ato de repúdio ao racismo em conjunto com o Grêmio para o jogo de volta das oitavas de finais da Copa do Brasil, ainda sem data definida após adiamento do STJD, na Vila Belmiro. E o clube ainda está usando a imagem de Aranha para tentar conscientizar os torcedores. O goleiro fez um vídeo na Santos TV condenando as discriminações que muitos sofrem no País.

A primeira reação dos dirigentes santistas foi de indignação com as ofensas racistas sofridas pelo goleiro Aranha, na noite de quinta-feira, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, nos minutos finais do jogo de ida das oitavas de finais da Copa do Brasil, vencido por 2 a 0 pelo time paulista.

"Atitudes como essa são inaceitáveis", disse o presidente Odílio Rodrigues. A esperança da direção do clube é de que as autoridades policiais gaúchas ajam rapidamente na identificação de todos os autores dos atos criminosos contra Aranha para que sejam indiciados em inquérito e denunciados para julgamento. "Esse tipo de comportamento só vai acabar através de medidas legais punindo os agressores".

Um ponto que chamou a atenção nas declarações do presidente foi a preocupação em isentar de culpa o Grêmio e a torcida do clube gaúcho. "A punição da instituição não atinge quem deve ser atingido. O Grêmio é um clube grandioso e com certeza a sua diretoria não compactua com isso. E nem a grande maioria da torcida do Grêmio. A gente tem de começar a punir os que praticam a violência. A punição é pessoal e intransferível. A pessoa tem que sofrer o rigor da lei. Não vamos resolver enquanto a gente não atingir o agressor, enquanto ele não for proibido de entrar no estádio, não tiver que ir à delegacia prestar depoimento".

O advogado do Santos, Cristiano Caús, explica que o inquérito da Policia Civil foi aberto de ofício (sem intervenção da vítima) em Porto Alegre e esclareceu que na Justiça Desportiva o promotor faz a denúncia com base no relato do juiz da partida na súmula e após assistir aos vídeos do jogo.

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