Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Arbitragem chama a atenção por mais um fim de semana de erros

Teve árbitro validando gol que a bola não cruzou a linha e anotando pênalti por falta fora da área ou do campo em rodada cheia de falhas

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 10h16

 Mais uma vez a arbitragem do futebol brasileiro esteve em evidência num final de semana. E novamente chamando atenção pelos erros bisonhos e inadmissíveis apresentados pelos quatro cantos do País. Teve erro de tudo quanto foi jeito: gol validado em que a bola não cruzou a linha, pênalti marcado com falta fora da área ou do campo, árbitro ironizando jogadores, ignorando falta clara que resultou em gol e até auxiliar validando gol em posição ilegal.

Autoridades dentro do campo, os árbitros vêm mostrando que merecem punições severas de suas federações. No Campeonato Paulista algumas atitudes já foram tomadas, mas mais uma vez se viu homens do apito merecendo um "cartão vermelho."

No clássico entre Santos e Portuguesa no Pacaembu, por exemplo, Marcelo Aparecido de Souza deu um pênalti em Robinho quando o atacante estava fora do campo. O jogo marcava 1 a 0 para o Santos, que ampliou o placar no lance e praticamente selou sua vitória. Ao ver o lance, o ex-árbitro Leonardo Gaciba, atualmente comentarista da TV Globo, reprovou a desatenção de Marcelo Aparecido. "Não podia ser marcado a penalidade."

Arnaldo César Coelho, outro ex-árbitro que trabalha na Globo, também reprovou o lance. "Que desse amarelo ou vermelho pela falta dura. Mas não podia ter anotado pênalti. Tinha de parar o lance e reiniciar com bola ao chão."

Outros dois jogos de grandes do Estado tiveram arbitragem em evidência. Na visita do Corinthians ao Ituano, o gol de empate dos donos da casa saiu após uma falta dura e clara em cima de Petros, com Márcio Henrique de Gois menos de dois metros do volante corintiano, sendo ignorada. Os corintianos pararam no lance cobrando a falta que Gois não deu.

"Foi falta clara e o cara se perdeu. Talvez pela pancadaria que estava rolando no meio de campo. Mas estava perto e não tem como não dar", lamentou Arnaldo César Ribeiro, comentarista da TV Globo.

O juiz ainda "ignorou" um agarrão do técnico Tarcísio Pugliese no lateral Edilson, impedindo o corintiano de cobrar um lateral rapidamente. O treinador seria expulso minutos mias tarde por nova interferência em lateral.

Na vitória do Palmeiras sobre a Penapolense, Leandro Bizzio Marinho salvou seu auxiliar de falha num gol de Cristaldo. O atacante desviou um chute de Dudu para as redes em posição ilegal (só havia um jogador em sua marcação) e Risser Jarussi Corrêa ia validando o gol. Cristaldo até perguntou se o lance estava validado para o bandeirinha, que confirmou que sim. Bizzio anulou o lance, acertadamente.

Responsável pelo comando da arbitragem em São Paulo, no qual adotou a tolerância zero para falhas graves, Marcos Marinho desta vez optou apenas pelo "puxão de orelhas" em seus árbitros ou auxiliares. "No pênalti para o Santos, num lance muito rápido, o árbitro achou que a falta foi dentro da área. Na hora não consegue visualizar, é um lance difícil. Mas vamos orientá-lo para prestar mais atenção", disse Marinho. O pedido se estenderá para Márcio de Gois por não ter visto falta em Petros. "Não vai ser punido, mas chamaremos sua atenção."

Sobre o gol validado erroneamente para o Palmeiras pelo auxiliar, Marinho comemorou a interferência de Bizzio, que acertadamente mudou a anotação do auxiliar. "Foi algo que trabalhamos bastante na pré-temporada. Jogo à noite, com iluminação ruim, a distância, tudo interfere para o auxiliar não ver o lance corretamente. Mas o Bizzio vê e o alerta."

MAIS POLÊMICA

As polêmicas se estendem até o Rio, onde o Flamengo festejou a soma de mais um ponto no Carioca graças a erro de Wagner Nascimento do Magalhães. O homem de preto validou o gol do zagueiro Bressan mesmo com a bola não ultrapassando a risca totalmente. O jogo com o Madureira terminou 1 a 1 para revolta total do treinador do time pequeno, Toninho Andrade, que esbravejou bastante.

"Essa discussão já dura um dia e vai longe. Se a bola tivesse o chip, ou o recurso da linha do gol, como foi na Copa, todos validariam o lance? É polêmico e sempre vai ter alguém questionando se o chip foi preciso ou se errou por pouquinho", questionou Arnaldo César. "Quem deu o gol foi o bandeirinha, o melhor colocado no lance de todo o estádio, então, vamos ficar com ele, dar um voto de confiança."

No clássico entre Vasco e Fluminense, muita reclamação contra o experiente Luis Antônio Silva Santos, que teria chamado os jovens do tricolor de "molecada morta", segundo acusou o atacante Fred. "É um atitude inaceitável de um árbitro de 45 anos. É inaceitável esse diálogo. Se for verdade é uma falta de respeito", reprovou Sálvio Spinola Fagundes Filho, comentarista de arbitragem da ESPN Brasil no programa Bate Bola.

Durante o jogo do Engenhão, Luis Antônio ainda desagradou pela expulsão de Rafinha, numa falta que cabia apenas o amarelo - Guiñazu fez lance semelhante e não foi para o chuveiro mais cedo -, e por não dar um pênalti de Diego Cavalieri em Gilberto em lance claro pró-Vasco. O juiz ainda deu amarelo ao atacante por simulação no lance.

Em Belo Horizonte, quem ficou na bronca foi o time do Atlético-MG após levar a virada do América-MG no Independência. Os alvinegros reclamam de falta no lance do primeiro gol (uma trombada do atacante impedindo o zagueiro de chegar em Bryan, che empatou o jogo) e depois no lance que decretou a virada. O pênalti cometido por Edcarlos em Felipe Amorim foi, na verdade, uma falta fora da área. Igor Julio Bevenuto foi quem apitou o clássico.

Marcos Marinho vai dar bronca em seus árbitros, mas deixa para os críticos de arbitragem analisarem os erros fora de São Paulo. "Cada um que cuide de seus problemas", afirmou, evitando polêmicas. Arnaldo inocentou o árbitro neste lance. "Tem o problema da posição do árbitro, da correria do lance. às vezes só é visto este tipo de lance na televisão, por causa da velocidade. O olho humano não consegue ver tudo."  

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