Árbitro confessa manipulação de jogos

O árbitro Edilson Pereira de Carvalho, pertencente ao quadro da Fifa, confessou neste sábado na sede da Polícia Federal, em São Paulo, ter manipulado resultados de jogos de três campeonatos deste ano: Paulista, Brasileiro e Libertadores. Fez isso para lucrar para si próprio e para uma quadrilha com apostas em sites de jogatinas na internet, cujas sedes estão montadas no Rio e Piracicaba.A Polícia Federal e os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do MP) não têm mais dúvidas de que o árbitro é ladrão.?Temos 20 mil horas de escuta telefônica gravadas, numa operação que começou em outubro do ano passado. Não há dúvidas de que o árbitro Edílson Pereira de Carvalho fraudava resultados de jogos. Ele admitiu isso e está colaborando com as investigações?, disse o promotor Roberto Porto, do Gaeco, um dos responsáveis pela operação. Não está dercartado a ele o benefício da delação premiada.Edilson foi preso na madrugada deste sábado em sua casa, na cidade de Jacareí, no interior de São Paulo. Chegou algemado à sede da PF por volta das 8 horas. O árbitro e o empresário testa-de-ferro da quadrilha, Nagib Fayad, de Piracicaba, que também foi preso após tentativa de fuga, fizeram exames de corpo de delito no IML antes de serem confinados temporariamente.Ao ser detido, Edílson chegou a dizer que sua mulher e sua filha receberam ameaças de morte. Para os promotores do Gaeco, no entanto, ele contou a verdade. ?Só disse isso porque foi a primeira coisa que veio à minha cabeça?, admitiu o árbitro.O promotor Roberto Porto contou que o árbitro da Fifa não teve coragem de negar as acusações depois de ouvir trechos das gravações conseguidas pela Operação Atenas, nome dado ao trabalho da PF. ?As gravações deixam claro o envolvimento de Edílson na fraude. Ele aparece acertando preços no vestiário, portanto, minutos antes de começar o seu trabalho?, revelou.O árbitro também usava do artifício de provocar os jogadores para desestabilizá-los e até expulsá-los, como fez com o zagueiro argentino Sebá, do Corinthians, no clássico com o São Paulo pelo Brasileirão. Edílson Pereira de Carvalho e Nagib Fayad tiveram a prisão decretada pela juíza de 1ª Instância Antônia Brasilina de Paula Farah. Em seu despacho, a magistrada escreveu: ?O povo e a imprensa, notadamente a crônica esportiva, fazem papel de otários. A imprensa, porque acredita estar trabalhando com gente séria. E o povo, porque tem no futebol a esperança de uma vida melhor.? O árbitro e o empresário detidos serão acusados de crimes de estelionato (art. 171), induzimento à especulação (art. 174, crime contra a economia popular) e falsificação ideológica (art. 299), todos em concurso material com formação de quadrilha (art. 288 do Código Penal). Eles permanecerão, a princípio, detidos na PF por cinco dias, podendo ter o prazo prorrogado por mais cinco dias.O delegado Vitor Hugo Rodrigues Alvez, da Divisão de Operações de Inteligência da PF, está convicto de ter posto as maõs em uma ?organização criminosa bem estruturada e que comprava e vendia resultados de jogos de futebol.?A operação funcionava da seguinte maneira: o árbitro informava em qual jogo iria trabalhar e dizia quem iria vencer. ?A preferência era fazer com que os favoritos ganhassem os jogos, para não despertar desconfiança?, disse o delegado da PF. Com o resultado arranjado, Nagib apostava de R$ 200 mil a R$ 400 mil nas partidas. E Edílson Pereira de Carvalho ganhava de R$ 10 mil a R$ 15 mil.As investigações entram agora em sua segunda fase, com os interrogatórios. O árbitro Paulo José Danelon, da Federação Paulista, também é suspeito de envolvimento e está sendo procurado - ele apitou quatro partidas da Série B, enquanto Edilson Pereira de Carvalho trabalhou em 11 jogos do Brasileirão e mais 12 do Paulistão/2005. Novos mandados de prisão podem ser decretados no começo da semana.

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