Árbitro espera não ser notado em campo

"Que nem lembrem do árbitro." É dessa forma que Evandro Rogério Roman explica o que mais deseja, no jogo entre Goiás x Corinthians, no Serra Dourada. Comedido e discreto, Roman encara com naturalidade a indicação para comandar o duelo que pode decidir o Brasileiro. "É uma grande responsabilidade, mas só é dada para quem tem competência", afirma. "Estarei tranqüilo, alheio a qualquer outra situação, que não a de fazer o meu trabalho."Adepto da escola tradicional da arbitragem, abomina os gestos espalhafatosos. "Não é preciso fazer jogo de cena para exercer a autoridade", diz, sem se importar com a mala-branca de Corinthians e Internacional. "A polêmica é saudável, vai tornar o jogo mais competitivo, e todos ganham com isso."Filiado à Federação Paranaense, Roman admite que a imagem da categoria ficou arranhada depois do caso Edilson Pereira de Carvalho. "O árbitro é o mordomo dos filmes de terror: é o primeiro de quem todos desconfiam", compara. "Imagine depois desse problema."Porém, ao contrário da classe, considera que está num bom momento. Dirigiu jogos importantes ? Corinthians 7 x 1 Santos e Internacional 2 x 1 Palmeiras, para citar os mais marcantes ? e acredita ter feito bom trabalho. "Passei por provas de fogo, mas a mais importante da minha vida é Goiás x Corinthians." Tão procurado pela mídia quanto os jogadores ? "em 24 horas, dei 30 entrevistas", diz ?, Roman ri dos comentários de que poderia favorecer o Internacional, por ser gaúcho. Nasceu em Herval Grande (RS), mas mudou-se para o Paraná quando tinha quatro anos. "O Nilmar, do Corinthians, começou no Inter e não o vi tentar fazer gol contra, quanto enfrentou o ex-time", compara.Aos 32 anos, doutor em Educação Física e coordenador de curso numa Faculdade de Cascavel, Evandro Rogério Roman é casado há cinco anos com Janesca e tem um filho, Pablo, de 12. A estabilidade na vida particular lhe permite não fazer planos. "Não fui aprovado para o quadro da Fifa este ano. Quero chegar lá, mas não projeto nada: só quero continuar fazendo meu trabalho."

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2005 | 11h04

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