José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Árbitro promete entrar na Justiça do Trabalho contra a FPF

Leandro Camargo reclama que está sendo impedido pela entidade de apitar na temporada

Daniel Akstein Batista, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2013 | 15h25

SÃO PAULO -  Fora das escalas de arbitragem da Federação Paulista de Futebol desde outubro do ano passado, Leandro Camargo Costa diz já não saber mais o que fazer. Procurou a corregedoria da Federação, o Sindicato dos Árbitros de Futebol de São Paulo e também Marcos Marinho, responsável da arbitragem pela FPF, mas não obteve respostas de ninguém. E agora promete entrar com uma ação contra a Federação por terem tirado seu direito de trabalhar

Leandro tem, na verdade, duas ações contra ele rolando na Justiça, nenhuma delas relacionadas ao futebol. E de acordo com Arthur Alves Junior, presidente do Sindicato, este é o motivo para o juiz estar parado. “Enquanto tiver esse problema não dá para ele trabalhar”, afirmou. “Depois que ele resolver isso, tudo volta ao normal.”

O árbitro, que está na profissão há 12 anos, é também dentista. E foi por causa de uma sala que ele aluga que veio o primeiro problema: o proprietário pediu quase 100% de reajuste, ele questionou, e a Justiça entrou em ação. O outro imbróglio foi em relação a uma obra que Leandro fez em sua casa. “O marceneiro não cumpriu com o prometido em contrato, não paguei a última parcela e ele me acionou. Mas eu também exijo na Justiça que ele refaça o que está errado”, explicou.

Leandro diz que levou todos esses documentos à FPF no ano passado, até porque a entidade exige toda as documentações, como antecedentes civil e criminal, por exemplo, para que um árbitro possa trabalhar. “Levei esses dois processos em setembro de 2012, já para evitar qualquer impedimento de eu trabalhar. E o corregedor me recomendou que eu pagasse todo o aluguel”, contou.

Foi com essa recomendação que Leandro, de 39 anos, se irritou. “Eu não posso exigir um direito meu, de cidadão?”, indagou. Para ele, essas ações na Justiça não deveriam o proibir de trabalhar como árbitro. “Mas como eu, tem vários outros árbitros que estão assim também, sem apitar, mas que acabam não reclamando.”

De acordo com o presidente do Sindicato, foi depois da Máfia do Apito de 2005 que a Federação começou a exigir as documentações dos árbitros. E a proibir de apitar quem está com problemas na Justiça. “Mas quem tem uma dívida, por exemplo, nós até ajudamos a pagar. E depois eles nos ressarcem”, avisou Arthur Alves. “E no caso do Leandro não tinha como o Sindicato ajudar. Ele já tem seu advogado, e até agora só nos procurou para deixar os autos do processo.”

Corregedor da FPF, Bento da Cunha dá a mesma explicação de Arthur para o caso de Leandro. “Já conversamos, mas ele tem que fazer um acordo e resolver suas pendências”, disse. “No ano passado, ele me apresentou quatro ações, duas resolvidas e duas pendentes. Falei pra ele resolver tudo que depois o liberaríamos.”

Apesar de saber que nenhum árbitro pode apitar se tiver algum problema na Justiça, Leandro questiona: “Quem inventou isso? É algo que fere a constituição, não podem me proibir de trabalhar”, diz. “Se não resolverem isso, meu próximo passo é procurar o Tribunal de Justiça”, ameaça. “Só nesse ano deixei de ganhar R$ 7 mil por não me deixarem apitar.”

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