Rubens Chiri/Divulgação
Rubens Chiri/Divulgação

Árbitro relata homofobia em Vasco x São Paulo e time carioca pode ser punido e até perder pontos

Após recomendação do STJD para coibir manifestações preconceituosas, partida no Rio registra primeiro incidente

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2019 | 23h34

O árbitro Anderson Daronco relatou neste domingo na súmula da partida entre Vasco e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, em São Januário, a ocorrência de um ato homofóbico praticado pela torcida do time carioca. No segundo tempo, parte do público presente entoou o canto "time de v...", atitude que pode render punições, como a perda dos pontos conquistados dentro de campo. A primeira pena é em dinheiro, que varia de R$ 100 a R$ 100 mil. Em caso de reincidência, a pena pode ser perda de pontos.

A súmula, publicada no site da CBF, consta que o árbitro paralisou a partida para interromper o canto homofóbico. "Aos 19 minutos do segundo tempo, a partida foi paralisada para informar ao delegado do jogo e aos capitães de ambas as equipes a necessidade de não acontecer novamente e para informar no sistema de som do estádio o pedido para que os torcedores não gritassem mais palavras homofóbicas", diz o texto.

Daronco conversou primeiramente com o técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, que prontamente se virou para as arquibancadas e pediu para que os torcedores pararem com as manifestações. Dentro de campo, a equipe carioca venceu por 2 a 0, com gols no segundo tempo marcados por Talles Magno e Fellipe Bastos e se afastou das últimas posições na tabela.  

A ocorrência de atos homofóbicos pode punir os clubes a partir desta rodada. Na segunda-feira, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) recomendou que as atitudes preconceituosas passassem a ser relatadas nas súmulas. Os casos podem render a perda de três pontos, pois devem ser enquadrados no artigo 243-G do Código Disciplinar (praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência). 

Na última semana, o Estado procurou os 20 clubes da Série A para comentar sobre o assunto. A maioria deles manifestou ser contra receber punição por atitudes da torcida e prometeu realizar campanhas de conscientização para não correr o risco de possíveis penalidades. Em nenhuma outra partida da rodada foi registrada outro incidente do mesmo tipo.

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