Árbitros aprendem a usar desfibrilador

Respiração boca-a-boca, compressões cardíacas e aparelhos desfibriladores. Técnicas como essas só eram usadas por socorristas e médicos. Agora, em razão da morte, em campo, do zagueiro Serginho, do São Caetano, vítima de uma parada cardiorrespiratória, a FPF (Federação Paulista de Futebol), em parceria com o Incor (Instituto do Coração), criou o curso "Ressuscitação Cardiopulmonar e Noções de Desfibrilação" para os árbitros paulista de futebol.Esta quarta-feira foi o primeiro dia do evento, que reuniu 108 profissionais, que apitarão na Copa São Paulo de Juniores, com início dia 4. Todos têm passagem pelas Séries A - 2, A - 3, B e Feminino. Em janeiro, haverá o curso para outros 100 juízes da Série A.Marco Polo Del Nero, presidente da FPF, diz que "é claro que o caso Serginho deu um ?start? e estimulou tudo isso. Os clubes estão mais preocupados. Queremos fazer palestras, treinamentos, exames periódicos nos clubes, com a ajuda de parceiros. Estamos na fase embrionária e negociando parceria para custo zero para federação para realizar esses exames na pré-temporada, que é o mais importante." Os árbitros receberam toda orientação de emergência. Em pequenos grupos, simularam o atendimento com bonecos que estavam deitados no chão. Primeiro, observaram se a ?vítima? respondia aos chamados. Sem sucesso, realizaram duas respirações de resgate (boca-a-boca) atentos a cada cinco segundos aos sinais de circulação. Sem resposta, iniciaram as compressões cardíacas - 2 respirações para 15 compressões. Na segunda etapa, eles aprenderam a manusear o desfibrilador - aparelho responsável pela aplicação de choque elétrico sobre o tórax da vítima.Se o choque não ocorrer em dez minutos a chance de sobrevida é praticamente zero.Serão cedidos 22 aparelhos portáteis semi-automáticos à Federação, que custam R$ 12 mil cada. Eles estarão disponíveis na mesa do árbitro.Basta seguir o comando do aparelho, que possui um botão para descarregar o choque. O desfibrilador vai avaliar o ritmo e calcula o valor da voltagem que será descarregada. O choque varia de 200 a 360 jaules, algo em torno de 2.000 a 3.600 volts.A professora de educação física Teresa Cristina Slavinscas começou a apitar jogos da Série B, Feminino e Sub-20, este ano. E achou "muito simples" manusear o desfibrilador. "Acho que a gente tem que extrapolar os conhecimentos também extra-campo. Ajudar um vizinho, uma pessoa na rua. Deu para ter uma boa noção de tudo", disse Teresa. Para Marcelo Krochmalnik, também foi "fácil" : "todo curso que a gente puder fazer é importante. Só temos a ganhar."

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