GERALDO BUBNIAK/AGB
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Árbitros fazem protesto em jogos do Brasileirão contra veto de Dilma

Iniciativa é contra a proibição de que recebam direitos de arena

Almir Leite

12 Agosto 2015 | 19h30

Atualizado às 21h15

Os árbitros que apitam os jogos do Campeonato Brasileiro fizeram o primeiro protesto contra o veto, pela presidente Dilma Rousseff, ao artigo que Profut que lhes daria a eles o direito de arena. Pelo projeto, eles recebiam 0,5% dos direitos de transmissão das partidas. Os protestos irão continuar e há risco de uma greve. Essa possibilidade será discutida hoje em assembleias nos 27 sindicatos da categoria no País.

Nesta quarta-feira, os juízes entraram em campo com duas tarjas pretas, uma amarrada num dos braços e outra no pulso. Depois, exibiram placas (as usadas para indicar substituição e acréscimos no tempo) com o número 05, em alusão ao porcentual reivindicado. Além disso, atrasaram o início das partidas em um minuto. O protesto será repetido nos jogos desta quinta-feira.

Os árbitros se dizem dispostos a não sossegar enquanto o direito de arena que lhes favorecem não for estabelecido. Prometem, caso a iniciativa da greve não vá em frente, aumentar gradativamente, a cada rodada, os protestos.

“Entendemos ser justa a nossa reivindicação. Os jogadores têm direito a 5%. E o que pedimos é uma mixaria em relação a valor total dos direitos de transmissão’’, disse ao Estado o presidente da Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol), Marco Antônio Martins.

De acordo com ele, os direitos de transmissão atingem anualmente R$ 1,6 bilhão. “Queremos apenas R$ 9 milhões. É uma quantia ínfima.’’ O dinheiro viria do valor pago pela televisão para transmitir os jogos do Brasileiro.

Na possibilidade de a categoria optar por uma greve, é improvável que ela ocorra já no fim se mana, na 19.ª e última rodada do primeiro turno do Brasileiro. “As escalas já estarão feitas e temos de respeitar. Se a decisão for pela greve, iremos comunicar à CBF (organizadora do Brasileiro) em tempo hábil’’, explica o presidente da Anaf. Assim, caso ocorra uma paralisação, ela será feita em alguma das rodadas iniciais do segundo turno do Nacional.

A Anaf reivindica há vários anos o pagamento do direito de imagem aos árbitros. Depois de longa negociação durante a elaboração do projeto do Profut conseguiu a colocação de um artigo nesse sentido. Mas Dilma vetou ao assinar a lei. Ela seguiu recomendação da Advocacia Geral da União (AGU), que argumentou que o valor seria investido na qualificação dos árbitros, o que iria descaracterizar o objetivo do direito de arena. 

A forma de protesto de ontem foi discutida durante toda a tarde pela Anaf. Pensou-se inicialmente em orientar os árbitros a interromperem as partidas aos cinco minutos do primeiro tempo - por um minuto. Mas o departamento jurídico da entidade desaconselhou a iniciativa, pois entendeu que haveria o risco de os árbitros serem suspensos pelo STJD.

Por volta das 19 horas, a Anaf decidiu pela forma de protesto adotada e avisou todos os trios de arbitragem, que já estavam nos estádios.

MEDIDA JUDICIAL

Martins disse que na segunda-feira a Anaf vai recorrer à Justiça pedindo a proibição da exibição da imagem dos árbitros durante a transmissão dos jogos até que o direito de imagem seja efetivado. Isso representaria um grande golpe para as transmissões.


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