José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Árbitros protestam contra punição branda por racismo no Sul

Quarteto cruza os braços antes do início da partida no Campeonato Gaúcho

Agência Estado

16 de março de 2014 | 16h37

PORTO ALEGRE - Os quartetos de arbitragem que trabalham neste domingo nas partidas do Campeonato Gaúcho protestaram contra a punição branda recebida pelo Esportivo por conta dos atos de racismo praticados, há 10 dias, contra o árbitro Márcio Chagas da Silva. O clube perdeu cinco mandos de campo e recebeu multa de R$ 30 mil.

Antes dos jogos deste domingo, os quartetos de arbitragem se alinhavam no meio do gramado e permaneciam, parados, com os braços cruzados, em ato de protesto. O gesto lembra a ação do Bom Senso FC, no Brasileirão do ano passado, quando os jogadores se posicionaram contra o calendário do futebol brasileiro.

O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul definiu na noite desta quinta-feira as punições ao Esportivo pelas injúrias raciais sofridas pelo árbitro no jogo contra o Veranópolis, em Bento Gonçalves, no dia 5 de março. "Estou decepcionado. Toda a sociedade brasileira esperava uma posição mais forte", avaliou o árbitro Márcio Chagas, no dia seguinte.

No dia 5, Márcio Chagas ouviu xingamentos antes, no intervalo e após o jogo Esportivo x Veranópolis, como, por exemplo, "macaco safado". Além disso, Márcio Chagas encontrou seu carro amassado, arranhado e com bananas no capô e no teto.

O julgamento de quinta-feira durou mais de quatro horas. O relator Paulo Abreu votou pela aplicação das penas máximas: exclusão do campeonato e multa. Paulo Nagelstein pediu multa de R$ 20 mil e perda de mando de campo de cinco jogos. Álvaro Paganotto seguiu o relator. Por fim, o presidente Marcelo Castro, com voto peso dois, decidiu pela multa de R$ 30 mil e perda cinco mandos para o Esportivo, que já cumpre a punição neste domingo, enfrentando o São José em Veranópolis.

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