Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Arena Corinthians é a 'caixa-preta' a ser revelada por Andrés Sanchez

Negociação e pagamento da dívida do estádio, que ultrapassa R$ 1 bilhão, é o maior desafio do novo presidente

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2018 | 07h00

Um dos principais mentores da Arena Corinthians, Andrés Sanchez está de volta ao comando do clube para, como ele mesmo reconhece, fechar um ciclo em que o pagamento da obra é prioridade. A “caixa-preta” em que se tornou a Arena precisa ser desvendada. Este é o grande desafio do dirigente.

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Andrés iniciou seu “novo governo’’ no sábado já enfrentando tumulto – precisou se abrigar em um banheiro e depois deixou o Parque São Jorge escondido em um carro por causa de reações iradas à sua eleição –, mas ontem pregou tranquilidade e união diante dos problemas.

“É um desafio para todos nós (o acordo com a Caixa). A prioridade é resolver o mais rápido possível a engenharia financeira perante a Caixa e a Odebrecht (construtora responsável pela obra). Agora é unir o Corinthians”, disse o dirigente.

A questão é que pouco se sabe sobre os valores da Arena. Quanto foi pago ou o que resta quitar é um mistério. Andrés disse que a Arena teve custo total de R$ 1,2 bilhão. 

Em setembro passado, a auditoria Claudio Cunha Engenharia e Construções constatou que o valor estaria na casa de R$ 1,7 bilhão sem contar os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que são de R$ 454 milhões. Até o momento, o clube vendeu R$ 80 milhões dos CIDs.

O clube não paga o financiamento da arena desde março de 2016. Em dezembro, o ex-diretor financeiro Emerson Piovesan chegou a confirmar o acerto com o banco, mas o acordo não chegou a ser concretizado. 

Enquanto isso, todo o recurso obtido na arena (bilheteria, aluguel de camarotes, etc.) está separado, mas não foi colocado no fundo que administra o espaço – formado pelo clube, Odebrecht e Caixa.

Ainda segundo a auditoria, a construtora deixou de realizar R$ 150 milhões em obras e deveria pagar mais R$ 22 milhões por atraso na entrega. Mas o clube deve R$ 360 milhões à Odebrecht. “Vamos levar alguns dias para conhecer todo o entorno do Corinthians e os 100 próximos dias é para tornar o mais transparente possível nossa gestão. Todo mundo sabe o momento por que o País passa e precisaremos ser mais ativos e atrevidos para tentar resolver os problemas”, disse Andrés.

Nos bastidores, Caixa e Odebrecht receberam com confiança a eleição de Andrés. Banco e construtora acreditam que o dirigente terá maior habilidade do que os outros candidatos para acertar todas as pendências.

O presidente garantiu que não há risco de clube perder o Parque São Jorge. Na segunda-feira, a Caixa comunicou ao Corinthians que vai executar as garantias de empréstimos. Parque do terreno do Parque, por exemplo, foi dada como garantia para obtenção do financiamento de R$ 400 milhões do BNDES. “Saiu uma notícia desencontrada. Já sentamos ontem (segunda) com eles e espero que a gente pague o mais rápido possível. Estamos negociando. Vamos acertar direitinho isso. Será a prioridade.”

 

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