Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Técnica usada na Olimpíada faz arena do Palmeiras trocar gramado em três dias

Piso está liberado para jogo de quarta-feira após receber técnica de novo corte mais espesso do solo

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2017 | 07h00

Palmeiras e Peñarol vão testar no Allianz Parque, nesta quarta-feira, quando se enfrentam pela Copa Libertadores, como é jogar em um gramado plantado em apenas três dias. Segundo os responsáveis pela troca completa do piso, o tempo é considerado recorde e só foi possível graças a uma nova técnica de tratamento da grama, desde a lavoura até o estádio.

Na última quinta-feira a arena recebeu os shows dos cantores James Taylor e Elton John. Na sexta, foi iniciado o procedimento de troca total do campo. As primeiras placas de gramado começaram a ser plantadas na sexta, às 23h. O processo terminou na madrugada de segunda-feira, às 2h, com a colocação do último bloco.

O segredo para se ter o gramado em condições poucos dias depois do plantio está na retirada dos blocos da lavoura, localizada em Tremembé, no interior de São Paulo. Antes do transporte dos pedaços do futuro campo, em vez de o corte na grama ser de 30 metros de comprimento e de 1 cm de espessura, como é o habitual, desta vez foi de 3 cm e 12 metros de comprimento. A mudança propicia o melhor aproveitamento da raiz e do solo onde a grama cresceu.

"Plantar um gramado de placas finas é fácil, mas precisa esperar de 30 a 40 dias, como era antes. Agora, fazemos algo novo e uma arena multiúso pode ter jogo três dias depois de um evento", explicou a engenheira agrônoma Maristela Kuhn, consultora técnica da obra.

O mesmo procedimento é comum na Europa e foi utilizado pela primeira vez no Brasil no ano passado. O Maracanã teve a troca completa do gramado entre a cerimônia de abertura da Olimpíada e a realização do primeiro jogo do torneio de futebol. Daquela vez, porém, o prazo foi cerca de uma semana.

O Allianz Parque investiu R$ 300 mil no serviço de troca do gramado. Foram acionados 60 funcionários. Cada bloco de grama, por ser mais espesso, pesa cerca de 800 kg. O transporte desde Tremembé exigiu mais de 50 caminhões. O deslocamento teve como cuidados não posicionar uma placa sobre a outra, para não "esmagar" o piso, e ser realizado à noite, para evitar a exposição ao calor.

A arena deve passar por operações parecidas de troca do gramado em setembro e em janeiro. "Como faz parte da agenda do estádio ter eventos variados, tivemos de pensar em soluções para conciliar os shows com o futebol", afirmou o gerente geral do Allianz Parque, Eduardo Rigotto. A grama será da mesma espécie da anterior.

O Palmeiras faz nesta terça à tarde o primeiro treino no local. Nestaa segunda-feira os funcionários finalizaram a aplicação do gramado com a limpeza geral, demarcação das linhas e aplicação dos produtos para coloração.

O novo gramado passou por testes de resistência com um aparelho de tração, que possui travas de borracha que imitam o material das chuteiras e é ajustado para simular a carga de pisadas e de giros no gramado dados pelos jogadores. "Estamos certos de que não vai levantar placas", disse Rigotto. 

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