Argentina completa 20 anos sem conquistar títulos com a equipe principal

Desde o triunfo na Copa América de 1993 equipe acumula 13 eliminações nas duas últimas décadas

Ciro Campos e Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Na última quinta-feira se completaram exatos 20 anos desde que a seleção argentina conquistou o seu último título. Foi a Copa América de 1993, com vitória por 2 a 1 sobre o México. Depois daquele triunfo no Equador, gerações de jogadores talentosos chegaram perto da glória, mas sempre fracassaram.

A Argentina vive o seu maior jejum de títulos da história. Nunca o país ficou tanto tempo sem conquistas. Entre as seleções campeãs do mundo, seu período sem taças só é menor do que o da Inglaterra, que não vence uma competição desde a Copa de 1966.

O título da Copa América de 1993 foi conquistado sem a genialidade de Maradona, que estava fora de forma por ter jogado pouco pelo Sevilla. A base do time era a vice-campeã mundial de 1990, sem Maradona, mas com a entrada de novatos talentosos como Simeone, Redondo e Batistuta.

O grande destaque da equipe acabou sendo Batistuta, que marcou os dois gols da decisão e iniciou ali a sua trajetória de sucesso pela seleção – é o maior artilheiro da Argentina, com 56 gols em 78 partidas. No gol, Goycochea confirmou naquela Copa América a fama de exímio pegador de pênaltis ao defender as cobranças de Marco Antônio Boiadeiro nas quartas de final, contra o Brasil, e de Aristizábal na semifinal, diante da Colômbia.

Nas duas décadas seguintes, a Argentina disputou 13 torneios oficiais: cinco Copas do Mundo, duas Copas das Confederações e seis Copas América.

Nada menos do que sete treinadores de variados estilos passaram pela seleção no período: Alfio Basile (1993-1994 e 2006-2008), Daniel Passarella (1994-1998), Marcelo Bielsa (1998-2004), José Pekerman (2004-2006), Diego Maradona (2008-2010), Sergio Batista (2010-2011) e Alejandro Sabella (desde 2011).

Passarella, por exemplo, era um disciplinador e só convocou para a Copa de 1998 jogadores que tivessem os cabelos curtos. Com isso, Redondo e Caniggia ficaram fora e Batistuta foi obrigado a cortar os cabelos longos. Já Bielsa e Sabella fizeram bons trabalhos em seus clubes. O primeiro foi campeão argentino e vice da Libertadores com o Newell’s. O segundo ganhou a Libertadores com o Estudiantes. Pekerman foi alçado ao cargo depois de um trabalho excelente nas equipes de base. O mesmo aconteceu com Batista. Basile era um nome experiente e bem relacionado com os jogadores. E houve até a tentativa de apostar no carisma de Maradona. Nenhuma das alternativas, no entanto, deu certo.

Gols da final da Copa América de 1993, o último título argentino

Curiosamente, enquanto a seleção principal acumulava seguidas eliminações e parecia estar sem rumo, o time juvenil dominava o cenário internacional. Foram oito títulos sub-20 entre 1995 e 2007, sendo cinco mundiais e três sul-americanos. E a equipe olímpica faturou a medalha de ouro em Atenas-2004 e Pequim-2008.

Craques no exterior

Técnico campeão do mundo em 1986 e vice em 1990, Carlos Bilardo aponta o êxodo de jogadores ainda jovens como uma das principais causas do jejum de títulos da seleção argentina. Ele lembra que não é de hoje que os melhores jogadores do país atuam na Europa, mas o cenário atual é bem diferente daquele da década de 90.

Dos 11 titulares que disputaram a final do Mundial de 1990, contra a Alemanha, por exemplo, só três defendiam clubes argentinos. Mas antes os craques iam jogar no exterior somente depois de se consagrar no país. Hoje, muitos saem antes mesmo de conseguir destaque em um clube argentino. E ele cita Lionel Messi, que trocou o Newell’s Old Boys pelo Barcelona com apenas 13 anos.

“Eu vivia viajando. Tinha de ir a Nápoles, Paris, Roma e Milão para encontrar os jogadores e falar com cada um deles sobre o que eles tinham de fazer na seleção. Mas hoje os bons jogadores de até 20 anos estão todos na Europa. Assim, tudo se torna mais difícil. Vejam o caso do Messi.”

Para Bilardo, no entanto, é justamente Messi quem pode acabar com o jejum de títulos. “A Argentina tem a sorte de poder contar com o Messi. É uma vantagem para a gente, assim como foi para o Brasil quando teve o Pelé e depois com a Argentina no período do Maradona. Cada um em sua época, foram jogadores que fizeram a diferença. Agora é o Messi.”

Fé no gênio

A geração atual também aposta suas fichas na estrela de Messi. É o caso do meia Montillo, do Santos, que costuma vestir a camisa dez argentina quando o craque do Barça não está em campo. “Temos um grupo bom e o plus de termos o melhor jogador do mundo, assim como foi o Maradona em seu momento. O Messi agora está mostrando por que foi quatro vezes o melhor do mundo. Não podemos depender só de um jogador, mas ele pode fazer uma diferença grande.”

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