Fifa
Fifa

Argentina vai parar, mas pelo futebol. É final de Libertadores

No país das greves gerais, River Plate e Boca Juniors fazem neste sábado, às 18h, a decisão do torneio no Monumental de Núñez

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2018 | 05h05

Quis o destino, mas com muita competência dos finalistas, que a decisão da Copa Libertadores, a última organizada em duas partidas, colocasse frente a frente River Plate e Boca Juniors, um dos maiores clássicos do mundo. Pela primeira vez o duelo entre os rivais argentinos se dará na final continental e, mesmo jogando em casa e entrando em campo com o empate por 2 a 2 obtido no jogo de ida, o River rejeita qualquer favoritismo.

Para muitos, a partida é simbólica, pois marca o fim da Libertadores “raiz”, aquela que para vencer tem de encarar a torcida adversária no campo do inimigo, os erros de arbitragem e até cachorros no campo – cenas da competição disputada na América do Sul. Obviamente o futebol mudou nos últimos anos, mas abrir mão de um mata-mata na final provoca arrepios nos torcedores fanáticos.

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) decidiu que no próximo ano a Libertadores será decidida em jogo único, já marcado para o estádio Nacional em Santiago, no Chile. Então, esse confronto entre River Plate e Boca Juniors toma ares nostálgicos também. A Argentina, talvez o país deste continente mais acostumado às greves gerais (só no atual governo foram três), vai parar. Até o presidente Mauricio Macri, que já foi comandante do Boca, abriu vaga na agenda, mas não deverá estar no Monumental.

O estádio terá 60 mil torcedores, todos a favor do River por questões de segurança – na partida de ida, somente a torcida do Boca foi à Bombonera. É a primeira vez na história que a disputa final da Libertadores não terá torcida visitante. Sem conseguir solucionar o problema de violência no futebol, a opção foi deixar os visitantes fora, como nos clássicos paulistas.

As autoridades estão em alerta máximo para evitar problema. O jogo será visto no mundo todo por sua grandeza. Gianni Infantino, presidente da Fifa, já está em Buenos Aires para acompanhar o confronto e mostrar seu apoio ao futebol sul-americano. Ele estará no estádio ao lado de Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA).

Macri dirigiu o Boca entre 1995 e 2007. O presidente já manifestou sua dificuldade em lidar com a decisão entre os dois clubes mais populares da Argentina. Ele deve evitar o público. Até porque sua popularidade está baixa e ele vem sendo hostilizado nos estádios.

Se entre os fãs argentinos a efervescência da partida é gigantesca, nos dois times a seriedade falou mais alto. Não houve provocações das partes. No River, o técnico Marcelo Gallardo, que não estará no banco por causa de uma suspensão – o time será comandado pelo auxiliar Matías Biscay –, estipulou a lei do silêncio para que seus jogadores não perdessem o foco.

Do outro lado, o Boca preferiu sentir o carinho da torcida e lotou a Bombonera para um treino aberto. “Se disser que não estou ansioso, estarei mentindo. É uma partida única e temos a possibilidade de entrar para a história”, disse o volante Nández. Outro empate leva a disputa para prorrogação e, em caso de nova igualdade, haverá pênaltis.

Para o duelo deste sábado foi escolhido o uruguaio Andrés Cunha para apitar. Pela primeira vez a Conmebol estipulou a concentração para a arbitragem, que ficou dois dias em Assunção. O árbitro de vídeo (VAR) também será usado em caso de necessidade. “Estou muito orgulhoso de ter sido escalado para essa grande partida”, afirmou Cunha, que achou positiva a iniciativa da concentração.

FICHA TÉCNICA:

RIVER PLATE x BOCA JUNIORS

River Plate: Armani; Montiel, Maidana, Pinola e Casco; Palacios, Enzo Pérez, Ponzio, Ignacio Fernández e Martínez; Lucas Pratto. Técnico: Matías Biscay.

Boca Juniors: Andrada; Jara, Izquierdoz, Magallán e Olaza; Nández, Barrios, Pérez e Cardona; Ábila e Villa. Técnico: Guillermo Barros Schelotto.

Juiz: Andrés Cunha (Uruguai).

Local: Monumental de Núñez, em Buenos Aires.

Horário: 18h (de Brasília).

TV: SporTV e FOX Sports.

Ao vivo: estadao.com.br/e/libertadores

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.