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Torcedores e crianças vão ao aeroporto receber a seleção e apoior Messi AP

Argentinos pedem para Messi continuar na seleção

Craque anunciou que não joga mais pela seleção após pênalti perdido e derrota na final

RODRIGO CAVALHEIRO / CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O ESTADO DE S.PAULO

28 de junho de 2016 | 07h00

Ao aterrissar na noite desta segunda-feira sob chuva forte em Buenos Aires, Messi encontrou o apoio de dezenas de torcedores com cartazes, algumas centenas de pessoas paradas no caminho do aeroporto e milhões de mensagens em redes sociais pedindo para que não abandone a seleção. O anúncio de que não jogará mais pela Argentina tirou das manchetes a derrota para o Chile nos pênaltis, o terceiro vice-campeonato seguido e os 23 anos sem título. Os argentinos se perguntavam apenas se a decisão – reiterada por Messi ainda nos EUA – é reversível ou pelo menos temporária.

Um sinal de que as palavras do jogador do Barcelona foram levadas a sério foi a reação a elas na internet. No Twitter, a hashtag #NoTeVayasLio (Não vá Lio) foi a mais usada no mundo até a metade do dia, com mais de 100 mil tuítes – um deles do presidente Mauricio Macri. Vídeos de crianças consolando a TV ao vê-lo chorar tornaram-se “virais”. Os canais e sites argentinos mantiveram enquetes durante todo o dia, com números superiores a 80% contra a aposentadoria precoce.

A primeira declaração de Messi de que o faria dada ao canal TyC, na saída do estádio Met Life, menos de uma hora após ver os chilenos levarem a Copa América por 4 a 2 nos pênaltis, após empate sem gols. “No vestiário pensei ‘era isso, acabou para mim a seleção’. São quatro finais, não é para mim”, disse. 

O melhor do mundo foi questionado se era uma decisão definitiva. “É para o bem de todos. Por mim e por todos. É uma decisão tomada.” No final, foi taxativo: “Já tentei muito. Dói a mim mais que a ninguém não poder ser campeão com a Argentina, mas é assim, não aconteceu. Vou embora sem conseguir.” Mais tarde, já no hotel, ele reiterou as declarações.

Segundo os jornais Clarín e La Nación, o goleiro Sergio Romero tentou dissuadi-lo. O atacante Kun Agüero, companheiro de quarto de Messi, indicou que a saída do 10 seria acompanhada pela de outros dessa geração, Javier Mascherano e Gonzalo Higuaín por exemplo.

A possível aposentadoria de Messi da seleção é um tema recorrente na Argentina, embora possa parecer despropositado fora do país. A informação de descontentamento dele com o tratamento que recebe de alguns torcedores, de jornalistas e da Associação de Futebol Argentino (AFA) vem à tona periodicamente.

Na quinta-feira, num ato raro, Messi tuitou uma reclamação contra a AFA, em razão do atraso em um voo. “São um desastre”, escreveu. A pressão pela conquista do título da Copa América era tanta que só depois desse tuíte os jornais argentino revelaram que a seleção não tinha equipes amadoras contra quem treinar na concentração, chegava a hotéis com quartos por fazer e enfrentava atrasos.

Embora as comparações entre seu desempenho no Barcelona e na seleção tenham diminuído, a torcida argentina exige dele que expresse alegria e sofrimento como Diego Maradona. “Messi é um líder, Maradona é um caudilho. Não é justo comparar”, disse o psicólogo esportivo Marcelo Roffé ao canal TN. “Mas também não é normal que alguém perca três finais seguidas”, completou. 

Embora enquetes mostrem amplo apoio à permanência de Messi, há exceções ruidosas. “Ele já queria ir embora mesmo, melhor que vá. Prefiro mil vezes (Carlos) Tévez, que deixa a alma no campo”, diz o pedreiro Carlos Ríos, que aos 21 anos nunca gritou campeão pela seleção. 

 

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'Gostaria de que o Messi não desistisse', diz Falcão

Volante da seleção brasileira de 82 diz que craque tem de repensar decisão de não jogar mais pela Argentina

O ESTADO DE S.PAULO

28 de junho de 2016 | 07h00

1. Como você vê a decisão do Messi de não jogar mais pela seleção da Argentina?

Eu gostaria que ele não desistisse. É importante o Messi jogar pela seleção argentina. Eu gosto de ver gente que jogue bola. Normalmente, ele é o responsável por levar a Argentina às finais. E a final é um detalhe, como foi domingo (contra o Chile). 

2. Acredita que é definitivo ou pode haver mudança?

Me parece ser uma coisa que ele tem de repensar. Claro que a Argentina é um time que funciona bem. Mas ele é decisivo. E repito: ganhar a final é um detalhe. Não significa que perdeu é ruim. O time dele poderia ter ganho.

3. Considera que o Messi tomou a decisão sob o impacto da emoção? Ele perdeu o pênalti...

Tomara... O pênalti, para mim, é explicado da seguinte maneira: ele estava jogando contra um goleiro que o conhece (Bravo também do Barcelona), que sabe que ele bate colocado, num canto. Acho que, por isso, pensou em mudar, surpreender, dar uma pancada. Só que a bola subiu.

4. Você fez parte da seleção brasileira de 1982. A pressão sobre os craques é realmente muito grande?

Em relação a 1982, não tinha essa pressão. Porque era uma seleção que jogava bem demais, era reconhecida pelo mundo. Pressão tem quando você não joga bem. Não tinha pressão porque ninguém esperava que perdesse.

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Análise: Craque anuncia retirada em seu auge na seleção

Messi anunciou a renúncia à seleção argentina em seu melhor momento na equipe. Teve excelente desempenho na <a href="http://topicos.estadao.com.br/copa-america">Copa América Centenário</a>, à qual chegou machucado, e não é exagero dizer que conduziu o time até a decisão. Mesmo considerando-se que a Argentina tem grandes jogadores, ele fez a diferença.</p>

ALMIR LEITE, O ESTADO DE S.PAULO

28 de junho de 2016 | 07h00

No torneio disputado no Estados Unidos, Messi apenas deu sequência à fase de bons jogos pela seleção que iniciou com a chegada de Gerardo Tata Martino, após a Copa de 2014. O treinador já o conhecia do Barcelona e soube como tirar o melhor dele. Colocando-o pela direita do ataque, mas com liberdade de movimentação e mais próximo do gol.

Até então, Messi jogava centralizado na seleção. Não rendia. Apesar de ter feito várias boas partidas ao longo dos anos, era bastante irregular. 

No posicionamento ideal, seu futebol cresceu, a confiança também. Assumiu de vez a condição de líder do time em campo. Nas Eliminatórias, por exemplo, sempre que jogou foi fundamental para a equipe. Mas um incômodo perseguia Messi: o de não conduzir a Argentina a um título. Na Copa de 2014, foi eleito o melhor jogador, embora não tenha brilhado. Queria mesmo era a taça. Não conseguiu.

Essa “obsessão’’ levou Messi a desprezar a Olimpíada do Rio – já tem o ouro de Pequim – e apostar todas as fichas na Copa América Centenário. Estava dando tudo certo até a final, quando mais uma vez deu tudo errado. Para a Argentina e para ele.

A frustração o levou à renúncia. Que pode ser definitiva. Ou não. A Argentina em peso quer que fique. Talvez seja a percepção de que, sem Messi, quebrar o jejum de títulos será bem mais difícil, pois o futebol ainda precisa de quem faz a diferença.

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