Armando Marques é o alvo de Edílson

Armando Marques é o alvo da vez de Edilson Pereira de Carvalho. Neste domingo, o ex-árbitro acusou o ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF de pedir-lhe para ajudar o Flamengo em um jogo contra o Juventude pela Copa do Brasil de 2001. Nos últimos dias, o protagonista do Escândalo do Apito tem atirado para todos os lados. Já centrou o foco no vice-presidente da Federação Paulista, Reinaldo Carneiro Bastos, além do atual e do ex-presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, Fran Papaiordanou e José Manuel Evaristo, respectivamente. E promete mais: garante que contará tudo o que sabe nesta segunda-feira, em entrevista coletiva. Edilson acusou Armando em entrevista a um site de esportes. Disse que estava na sauna de um hotel em Caxias do Sul, quando recebeu um telefona do ex-chefe. ?Ele (Marques) disse: ?Veja lá o que vai fazer?, de maneira curta e grossa. Fiquei tremendo?, contou. O Juventude venceu a partida por 2 a 1 e o ex-árbitro expulsou, acertadamente segundo ele, os então flamenguistas Petkovic e Cássio. A partida foi pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, a decisão da vaga foi para os pênaltis (os cariocas haviam vencido na ida por 2 a 1) e o Flamengo levou a melhor (3 a 2). De acordo com Edilson, no dia seguinte, já em casa, recebeu outra ligação de Armando, dizendo que, além de competente, ele tinha muita sorte. Mas teria ameaçado acabar com sua carreira. Carvalho não tem prova contra Marques. ?Como eu ia gravar uma conversa na sauna de um hotel?? Mas disse supor que seu ex-chefe pressionou outros juízes. Armando não quis responder às acusações. Luiz Zveiter, presidente do STJD, preferiu não emitir opinião. ?Tenho de aguardar para analisar a veracidade (da denúncia) e aí, sim, falar que providências serão tomadas?. Metralhadora giratória - Carvalho ganhou, na FPF, o apelido de ?Roberto Jefferson do futebol?, pois estaria tentando tirar o foco das acusações que pesam contra ele. ?Ele parece uma metralhadora giratória. Mas não tem a menor credibilidade?, disse, à Agência Estado, José Manoel Evaristo, o atual vice da Comissão de Arbitragem, um dos alvos do depoimento que Edilson deu ao STJD ? afirmou que Evaristo e Bastos lhe cobraram uma ?divida de gratidão? por terem ajudado o ex-árbitro a ser readmitido dos quadros da FPF após a suspensão, em 2003, por ter apresentado diploma falso. Neste domingo, Edilson disse que Marco Polo Del Nero, presidente da FPF, e Nabi Abi-Chedid, vice da CBF, têm envolvimento com as pressões que recebeu. Mas garantiu que os membros da comissão da FPF, que investiga possível manipulação de resultados em partidas do Campeonato Paulista, não revelaram todo o conteúdo do que ele disse no depoimento dado na semana passada. ?O que eu falei no gravador, eles não falaram. Só é divulgado aquilo que é conveniente?, afirmou. A comissão, formada pelo Tribunal de Justiça Desportiva da FPF, retoma nesta segunda as investigações com a análise, por vídeo, de várias das 22 partidas suspeitas. Um dos membros da comissão, o ex-árbitro Sidrack Marinho dos Santos, pretendia ter assistido sozinho no fim de semana São Paulo x Ponte Preta (apitado por Edilson) e Guarani x Atlético Sorocaba (apitado por Paulo José Danelon). Não conseguiu porque seu aparelho de videocassete quebrou. Danelon deve ser ouvido até quinta-feira pela comissão, na sede da FPF.

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