Armando Marques era problema para CBF

Conhecido por seu temperamento explosivo, avesso a entrevistas e pouco afeito a críticas, Armando Marques passou a ser um problema para a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Era uma via permanente de desgaste da entidade. Ele jamais veio a público para explicar situações controversas da Comissão Nacional de Arbitragem. A recusa vinha quase sempre em forma de discussão, em voz alta, com gestos excessivos e atitudes intempestivas.Homem de confiança de João Havelange, Armando Marques assumiu o cargo em 1997, depois de um escândalo envolvendo seu antecessor Ives Mendes, que foi flagrado em conversas grampeadas usando o posto para financiar sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais em 1998. Dono de um estilo centralizador, temido por árbitros por sua conduta severa, Armando Marques foi um crítico rigoroso de mudanças na legislação, que passaram a determinar sorteio de árbitros para os jogos oficiais de futebol. No início, disse que a novidade não funcionaria. Depois, rendeu-se às determinações de Ricardo Teixeira e parou de protestar. Pouco antes disso, chegou a ser suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por causa de um incidente com o árbitro Alfredo Loebeling. Na fase final da Série B de 2001, o Figueirense enfrentou o Caxias, precisando vencer a partida para subir à Série A. O time de Florianópolis ganhava o jogo por 1 a 0, quando houve invasão do gramado, nos acréscimos.Loebeling escreveu na súmula que havia terminado o confronto no momento em que torcedores do Figueirense entraram em campo. Mas, pressionado por Armando Marques, o árbitro modificou o teor do relatório entregue à justiça desportiva. O episódio deixou o então presidente da comissão em situação delicada. Por pouco, não foi demitido. Foi salvo por um telefonema de João Havelange para Ricardo Teixeira. Nesta sexta-feira, ao saber de Ricardo Teixeira que estava demitido, Armando Marques foi à sua sala, no quinto andar do prédio da entidade, juntou alguns pertences, despediu-se dos funcionários mais próximos e foi embora.Ainda teve fôlego para montar a escala de árbitros para o fim de semana ? separar os nomes dos indicados para o sorteio realizado em seguida na entidade, referente ao Campeonato Brasileiro. Às 14h20, pegou um táxi e, mais uma vez, não deu entrevistas. Estava muito abalado. O ex-árbitro, que se destacara no futebol brasileiro nos anos 60 e 70, voltava para casa mais cedo, expulso pela CBF.

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