Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Arrancada no 2.º turno

Palmeiras segue firme na corrida pelo título, embora o Brasileiro esteja equilibrado

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2018 | 04h00

Dias atrás, comparei o Palmeiras àquele candidato que larga na campanha sem muita pretensão e vê favoritos saltarem à frente, no início da campanha. Daí, à medida que se aproxima o momento decisivo, reage, corre por fora, sobe, ganha terreno e, quando os demais se dão conta, é realidade no caminho da vitória. Pois ocorre exatamente isso com a equipe sob a batuta de Luiz Felipe Scolari. Virou o turno oito pontos atrás do líder – então o São Paulo – e agora está na dianteira, com três de vantagem sobre o segundo colocado – o Inter.

O período avassalador palestrino se firma no segundo turno. Em nove rodadas, foram sete vitórias e dois empates; trocando em miúdos, colocou no bolso 23 dos 27 pontos disputados. Extraordinário retrospecto, obtido na maior parte com a formação B, se assim se pode chamar a escalação utilizada no torneio, em oposição à A, colocada nos duelos da Copa Libertadores.

Os palmeirenses fincaram pé no topo na rodada anterior, ao saltarem para 53 pontos. E se firmaram com os 2 a 0 sobre os são-paulinos no início da noite deste sábado. O Morumbi lotado de tricolores, por causa da praga da torcida única, foi palco de desempenho com autoridade do líder. Não confundir com exibição de gala; o Palmeiras não deu espetáculo, porém de novo se mostrou compacto, atento, firme na marcação, veloz na saída para contragolpes e usou a cabeça, no sentido literal, para construir o placar na fase inicial, com Gómez e Deyverson.

O Choque-Rei (apelido clássico criado pelo jornalista Thomaz Mazzoni nos anos 40) expôs dois times em momentos diversos. Ou melhor, dois elencos com potencial distinto. O verde em ascensão e com as opções sendo utilizadas com eficiência pelo treinador; o tricolor com claros sinais de esgotamento. Já há algum tempo fica a sensação de que Diego Aguirre e sua trupe atingiram o limite da capacidade. Até os números não ajudam: 11 pontos ganhos nos últimos nove jogos.

O Palmeiras armou a arapuca e o São Paulo caiu dentro dela. Como? Da maneira tradicional: ofereceu espaço para o adversário, o atraiu para seu campo, deu o bote sempre certeiro e o pegou desprevenido no contra-ataque. Para tanto, foi fundamental a harmonia, que começou em Weverton (só duas situações de perigo), passou por Marcos Rocha (por contusão, logo substituído por Mayke), Luan e Gómez no miolo da zaga e Victor Luiz.

O trabalho de Felipe Melo, Moisés, Yohan e Lucas Lima (o melhor) no meio anulou qualquer pretensão do São Paulo. Para Deyverson e Dudu sobraram inúmeras bolas livres. No segundo tempo, sobretudo, Dudu teve ao menos três chances para aumentar a diferença e errou nas escolhas. Mas, ok, cobrou o escanteio no primeiro gol e mandou bola na trave antes do segundo, além de segurar a zaga rival.

Aguirre apelou ao esquema com três zagueiros (Bruno Alves, Rodrigo Caio e Anderson Martins), que em vários episódios ficaram expostos na primeira parte. Tentou mudar, após o intervalo, ao colocar Everton na vaga de Rodrigo Caio. Ficou evidente que Everton está aquém do ideal. Nenê e Diego Souza foram duas nulidades e também saíram. Carneiro e Tréllez não são nomes com peso para anular desvantagem.

O Palmeiras mantém fôlego notável no Brasileiro. Se obtiver ao menos quatro pontos em dois duelos cruciais (dia 14 com o Grêmio em casa e 27 na visita ao Fla), estará em condições de controlar a situação até o fim da temporada. O São Paulo não depende mais de si; no entanto, é prematuro dizer que virou carta fora do baralho. No equilíbrio inusitado deste ano, nem na boca de urna dá para cravar quem sairá vencedor. Flamengo, Internacional e Grêmio são as provas de que o pleito decidido será na base do ponto a ponto.

 

 

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