Arrastão chega aos estádios de futebol

Os ?arrastões? são os novos inimigos dos torcedores de São Paulo. É cada vez mais freqüente nos dois principais estádios da cidade, Morumbi e Pacaembu, esse tipo de ação, quando ladrões agem em grupo e com muita rapidez. O assunto preocupa cada vez mais a Polícia, sobretudo às vésperas de um dos jogos mais esperados do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e Corinthians, domingo, às 16h, no Morumbi. O estádio estará lotado.A ação dos ladrões é conhecida e já foi vista em imagens de tevê, uma delas mostrada pela Rede Globo na praia de Copacabana, quando um bando de meninos avançou em turistas e banhistas para tomar-lhes à força os pertences. São Paulo também começa a sofrer essa agressão. O local escolhido? Estádios de futebol.A denúncia foi feita à Agência Estado pela Polícia Militar. E este é apenas um dos problemas enfrentados pelo torcedor paulista, que parece ter recuperado o gosto de ir ao campo vibrar com sua equipe. O São Paulo, em ótima fase e com um time competitivo, e o Corinthians, endinheirado e cheio de novidades, são dois exemplos de equipes que têm arrastado seguidores em seus jogos.O tenente-coronel Marcos Marinho, do 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, avisa que são em partidas destes dois times que os arrastões acontecem com maior freqüência. ?Talvez pela condição social dos seus torcedores, gente que mora nas zonas Leste e Sul da Cidade?, justifica.Os ladrões sabem que haverá casa cheia no Morumbi domingo, e podem querer agir contra torcedores comuns. Em locais com policiamento ostensivo, o arrastão só é possível porque a movimentação das pessoas é feita em massa.É jogo rápido. Os meninos, em bandos de 10 a 15, escolhem as vítimas de longe. Ficam próximos dos portões, como se estivessem conversando. Usam chinelos, bermudas e camisas comuns. É impossível identificá-los. Eles agem com precisão. Depois do ?bote?, em que tentam arrancar tudo das vítimas, correm cada um para um lado, se perdendo na multidão. Ninguém pega mais. Nem a polícia.A vítima pode ser qualquer um, desde que ostente objetos de valor, como correntes, pulseiras, bolsas, pochetes, carteiras volumosas nos bolsos. Casais, adolescentes, idosos e grupos com a presença de meninas são os mais visados.?O que os meninos preferem roubar são celulares. A maioria das queixas refere-se a furto de celular?, diz o tenente-coronel Marinho. Os ladrões cercam a vítima e levam tudo que podem em questão de segundos, algumas vezes até machucando as vítimas. E não dá para se defender. ?Você vai atrás de um e vem outro, e outro e outro?, explica o policial.Até a PM fica sem ação, dada a rapidez do bote e a dispersão imediata dos ladrões depois do roubo. É quase impossível prender alguém. Por conta disso, a ação começa a se espalhar por outros locais em dia de jogo, como nas estações de Metrô. Após a partida Palmeiras e São Paulo, no Morumbi, dia 20, pela oitava rodada do Paulista, a PM prendeu três rapazes que tentaram um arrastão na Barra Funda. Foram detidos Paulo Ribeiro da Silva, Danilo Gama Veloso e Pedro Henrique Farias, e o Boletim de Ocorrência, número 435, registrado na própria delegacia do Metrô.No jogo São Paulo e Corinthians, também no Morumbi, dia 27, houve um garoto preso. Como ele era menor, passou os 90 minutos da partida numa cela do estádio e depois foi solto. A PM reclama que o torcedor não tem hábito de dar queixa ou acusar os ladrões presos. ?Como estão mais interessados em ver o jogo, e com razão, sobretudo num domingo de lazer, os problemas solucionados acabam dando em nada. Não há a queixa e o menores geralmente voltam para a rua?, explica o tenente-coronel da PM.O arrastão é premeditado, afirma a PM. Os ladrões não entram sequer no estádio. Ficam nas barracas de lanches ou nas ruas. E preferem agir após o jogo, quando o torcedor está cansado e relaxado.A saída em massa também facilita a ação dos ladrões. Tem mais: as ruas próximas ao Morumbi e ao Pacaembu são mal iluminadas, propícias ao crime. E quanto mais longe dos estádios, menor o número de policiais na área.?O material do roubo é vendido a preço de banana ou mesmo trocado por drogas?, acusa o oficial. Nem os jogadores escapam. O volante Josué e o zagueiro Fabão, ambos do São Paulo, tiveram seus celulares roubados enquanto davam autógrafos fora do Morumbi, no sábado, após jogo com o Rio Branco.O 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar tem algumas dicas para o torcedor. Uma delas é não ostentar objetos de valor. Correntes, pulseiras, relógios podem ficar em casa. Os celulares não devem ficar à mostra, pendurados na cintura.As ligações, se necessárias, devem ser feitas em locais seguros e não em meio à multidão.?Pessoas que agem dessa maneira são alvos nos arrastões. Elas se esquecem da movimentação ao redor e tornam-se presas fáceis?, diz o tenente-coronel Marinho. ?Sei que o torcedor vai ao estádio para se divertir e se esquecer dos problemas, mas ele precisa ficar atento.?Esperar alguns minutos para deixar o estádio também ajuda.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.