Arsenal campeão, festa em Guarulhos

Decisão de campeonato com o filho Edu em campo, um grande motivo para festa na casa dos pais do ex-jogador do Corinthians. E não importa a distância. A vibração será grande, e o sofrimento também. Nesta quarta-feira, o Arsenal jogou contra o Manchester United e, com o empate, conquistaria o título inglês. Seu Edmundo e dona Márcia se preparam para assistir, pela televisão, ao desempenho do caçula. No sofá, o amigo da família, senhor Rafael, de 71 anos. Tudo pronto para o apito inicial até que, a TV muda a transmissão, optando pelo jogo de tênis de Gustavo Kuerten, para desespero do casal. Duas ligações para a operadora de TV e a confirmação da não transmissão. Passariam apenas o VT da partida. "Nesta quinta-feira mesmo vou cancelar esta assinatura. Fiz para ver o Edu e o Arsenal jogar e até agora, só passaram um jogo dele", disse Edmundo, indignado. "Passam o Newcastle, o Manchester, o Chelsea, tudo quanto é time, menos o Arsenal que está disputando o título, é brincadeira", concluiu, sisudo. Dona Márcia, sem saber de nada, comenta. "Já começou? E nós não estamos sabendo de nada?? Apela para o telefone, a forma de receber notícia. A todo momento fala com o filho Jean, presente no estádio acompanhando o irmão. Vinte minutos, toca o telefone. "Ai meu Deus, tomara que esteja tudo bem", implora a mãe. Ao atender, recebe a confirmação do placar, 0 a 0 e a informação de que Edu está jogando bem, apesar de ter levado duas entradas desleais. O pai permanece sentado no sofá, obrigado a assistir ao tênis. "Tenho de manter o auto-controle, pois já tenho duas pontes safenas", disse, com um largo sorriso no rosto, lembrando que, quando Edu atuava pelo Corinthians, foi ao estádio e, de tanto nervosismo, foi acordar no Incor. A mãe, inquieta, anda pela casa, fuma, toma café. "Nossa, é uma loucura." Dona Márcia, assim como Edmundo, sempre acompanhou o filho. E lembra de histórias engraçadas. Na final da Taça São Paulo de Juniores de 1999, estava no banheiro do Pacaembu, rezando, na hora do gol do filho. Vem o intervalo e 15 minutos de descanso. Nova ligação. É a confirmação do gol de Wiltord, após jogada de Edu. A festa começa. Dona Márcia fica elétrica, liga para a mãe e para irmã. Aos gritos, diz. "Estamos ganhando, estamos ganhando." Agora, o relógio é o inimigo. A hora demora a passar e Jean não liga. Finalmente, a confirmação. "Mãe, somos campeões." Dona Márcia solta o grito e agora é ela quem apela para o telefone. Com a caderneta em punho, distribui a notícia. O senhor Rafael não se segura e o choro é inevitável. O pai, orgulhoso, garante. Eu já sabia." Lamenta apenas não ter comprado fogos de artíficios. Fica para o dia em que os filhos retornarem ao País para passar as férias. Mas a agonia ainda estava longe de terminar. Em família de corintiano, o sofrimento é sempre maior. "Daqui a pouco, outro teste de nervos", ressaltou Edmundo, lembrando do duelo do Corinthians contra o Brasiliense, desta quarta-feira, no Morumbi.

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