Artesãos se queixam de poucas vendas durante a Copa do Mundo

Turistas preferem comprar produtos relacionados ao torneio, ainda que de segunda mão ou de ambulantes, do que artigos locais

Paulo Favero - Enviado especial a Fortaleza, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 17h00

Se o mercado literário está em baixa com os turistas da Copa em Fortaleza, o mesmo não se pode dizer dos produtos relacionados ao Mundial, muitos deles de segunda mão ou até piratas. Na orla de Fortaleza, na região de maior concentração de estrangeiros, os ambulantes tomaram conta do calçadão e oferecem camisas das seleções, bolas da Copa e até peças com o simpático Fuleco.

Os itens de Copa estão tomando o espaço de vários produtos típicos do Ceará e que costumam ser vendidos aos montes na tradicional Feirinha da Beira-Mar, ponto de encontro dos torcedores e turistas. Mas em vez de procurar redes coloridas feitas à mão ou saco com castanhas de caju, eles gastam dinheiro com roupas de seleções ou brinquedos chineses que apitam e piscam luzes coloridas.

O artesão Donato Júnior, que está há mais de 20 anos no local, conta que o Mundial tem trazido muito prejuízo para os vendedores locais. “Vou ser sincero. Acho que a situação piorou com a Copa. Vem muito torcedor da América Central, que compra alguma coisa, e as pessoas que vêm da Europa não compram nada”, reclama.

Ele explica que o torcedor de futebol, como vai de uma sede a outra para seguir sua seleção, evita fazer compras para não ter de carregar mais peso na bagagem. “Eles não querem levar coisas de um lado para o outro e evitam fazer compras”, explica Donato, que vende estátuas e santos de madeira em um ponto fixo na orla.

Para ele, mesmo em período que não é de Copa, alguns ambulantes vendem camisas da seleção brasileira, pois sabem que os gringos querem comprar. “Mas desta vez tem muito mais gente que o normal, os ambulantes vieram do centro para cá. Sem contar os produtos específicos de Copa, esses são novidades”, argumenta, reforçando. “Antes da Copa estava melhor.”

Sem fiscalização. Donato diz que a falta de fiscalização tem sido um problema na orla de Fortaleza, pois os camelôs aparecem com sacolas ou mochilas cheias de produtos, abrem em pleno calçadão e saem vendendo os produtos. Os itens que são mais vistos são brinquedos eletrônicos baratos vindos da China e óculos escuros.

A ambulante Cláudia, por exemplo, está negociando camisas da seleção. Ela compra por R$ 35 a peça e vende por R$ 50. “Só vendo camisas do Brasil e está tendo muita procura, geralmente para turista de fora”, afirma. Já outra vendedora, Carla, trazia camisas de México e Holanda por R$ 40, para aproveitar a partida de hoje pelas oitavas de final do torneio. “Vende bem para as duas torcidas”, revela, satisfeita.

Quando se percorre a avenida Beira-Mar, é possível ver, inclusive, vendedores oferecendo a bola Brazuca por R$ 50, preço inferior ao que é cobrado na loja da Fifa na Fan Fest que fica bem próximo do local. Já chapéus com a cabeça do Fuleco podem ser encontrados também por R$ 50. “É original, pode ver. E na loja da Fifa custa R$ 60”, avisa o vendedor, sem explicar como se conseguem preços melhores na rua.

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