Divulgação/Ulsan
Divulgação/Ulsan

Artilheiro do mundo pós-pandemia, brasileiro bate Lewandowski e faz mais de um gol por jogo

Júnior Negão vira a sensação da Coreia do Sul, mas só lamenta não poder comemorar junto com a torcida

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 08h00

Se no futebol pudesse ser escolhido um especialista no chamado "novo normal" ele seria Gleidionor Figueiredo, mais conhecido como Júnior Negão. Nascido em Salvador e criado em Manaus, o atacante do Ulsan, da Coreia do Sul, é o jogador de maior sucesso no planeta desde a retomada dos campeonatos após a paralisação causada pelo novo coronavírus. São 14 gols em 11 jogos, média acima até mesmo do retrospecto do polonês Robert Lewandowski no Bayern de Munique, que marcou 12 vezes em dez partidas.

Aos 33 anos, o jogador com passagens por Corinthians e Atlético-MG teve a honra de ser até o primeiro autor de um gol depois do recomeço dos campeonatos no mundo. Em 9 de maio, ele marcou e na comemoração, exibiu na camisa um recado de "Força, Brasil". "Minha família mora em Manaus, que foi um dos focos da pandemia. Eu perdi amigos por causa do coronavírus, então vi o sofrimento. Minha ideia foi mandar uma mensagem de força aos brasileiros, mas não imaginava a repercussão", contou em entrevista por telefone ao Estadão.

Júnior Negão vivenciou a pandemia sob diferentes aspectos. A Coreia do Sul foi um dos primeiros países a serem atingidos pela doença, ao registrar o primeiro caso ainda no início de janeiro. O futebol parou por lá em fevereiro. Depois teve início uma rigorosa quarentena e um controle grande do governo local para testagem da população. O esforço deu certo. O país controlou o número de casos e já no início de maio os times estavam em campo para retomar a disputa da liga local.

"Consegui voltar bem porque foram meses de pré-temporada forte. A equipe continuou treinando, eu foquei bem na preparação porque sabia que o campeonato seria mais curto", contou. Somente neste mês foram dois jogos, cinco gols e uma dezena de entrevistas para a imprensa local. A pergunta mais ouvida por Júnior Negão é qual o segredo para ser o maior artilheiro mundial desta nova era de jogos com portões fechados e cuidados com o isolamento social.

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Eu não fico 'secando' o Lewandowski. Eu tenho é de olhar para ele para aprender
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Júnior Negão, Atacante do Ulsan

A boa fase faz o jogador brasileiro travar uma disputa informal com uma das suas grandes referências. Até dias atrás o atacante do Ulsan, clube que leva o nome da cidade, escolhida pela seleção brasileira como sede na Copa do Mundo de 2002, estava empatado no número de gols com Lewandowski se for considerado o período pós-pandemia. Apesar de ter superado o colega de profissão, Júnior garante que não considera o polonês um concorrente. "Eu não fico 'secando' o Lewandowski. Eu tenho é de olhar para ele para aprender. Como somos da mesma posição, eu observo o que ele faz em campo para poder melhorar", comentou.

Integrante de uma família de advogados, Júnior Negão chegou a cursar o primeiro ano da faculdade de Direito antes de precisar abandonar o curso para se dedicar à carreira de jogador. O atacante mora na Coreia do Sul desde 2017 e está na companhia da mulher e das duas filhas. Atualmente, ele já presencia o país de volta à rotina normal e torce para que tudo no Brasil possa evoluir da mesma maneira.

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Se no Brasil precisou ter decreto para fechar o comércio, aqui foi ao contrário. As pessoas aceitaram ficar em casa e o comércio fechou por não ter demanda
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Júnior Negão, Atacante do Ulsan

"Se no Brasil precisou ter decreto para fechar o comércio, aqui foi ao contrário. As pessoas aceitaram ficar em casa e o comércio fechou por não ter demanda. No Brasil as pessoas desdenharam da pandemia, mas ela é séria. Os coreanos foram obedientes com o isolamento social", afirmou. Apesar da grande fase vivida na Coreia do Sul, ainda falta algo para a boa fase de Júnior ficar completa.

O atacante tem sentido de comemorar os gols com o público. "É muito estranho jogar sem torcida. Parece que é um amistoso. Nos nossos jogos tinham até 10 mil pessoas. A gente sente falta, principalmente quando faz o gol e vê aquele vazio nos estádios", comentou.

 

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