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'As duas melhores campanhas chegaram, Náutico e Central fizeram por merecer'

Terceiro maior artilheiro da história do Náutico com 184 gols, ex-atacante está agora na comissão técnica do Timbu

Entrevista com

Kuki

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2018 | 07h00

Terceiro maior artilheiro da história do Náutico com 184 gols, o ex-atacante Kuki estava em campo nas únicas três vezes que o time foi campeão Pernambucano neste século. Os anos eram 2001, 2002 e 2004. O baixinho – de 1,67 metro, futebol veloz e temperamento explosivo em campo – virou o maior ídolo recente do clube e atraiu atenção de equipes de fora do Nordeste. Aposentado desde 2009, pode voltar a comemorar um título pelo Timbu, desta vez como membro da comissão técnica.

Ao Estado, Kuki afirmou que o clube pode “renascer” em 2018, após adotar uma filosofia “pé no chão” que permite pagar os jogadores em dia. Também contou ter sido procurado para jogar no Palmeiras e deu sua versão sobre a fatídica partida contra o Grêmio, em 2005, quando o Náutico deixou o acesso à Série A escapar em casa, ao perder por 1 a 0, apesar de ter dois pênaltis a favor e quatro adversários expulsos. “Batalha dos Aflitos é uma coisa criada pelo Grêmio.”

 

 

Você foi contratado no ano do centenário do Náutico, em 2001. Era considerado uma aposta. Na época, o clube estava em crise: vivia um jejum de 11 anos e havia montado um time quase do zero para tentar impedir o hexa do Sport. Mesmo não sendo favorito, o Náutico acabou campeão. Vê semelhanças entre 2001 e 2018?

A única diferença é que a gente não tinha estrutura na época. Em 2001, o Náutico vinha de um momento muito difícil e começou o ano com apenas três jogadores. Cheguei depois de fazer uma temporada de 32 gols no Inter de Lages e 6 no Brusque (foi o artilheiro da 2ª divisão de Santa Catarina). Só havia dois jogadores conhecidos no elenco, que eram Sangaletti (ex-Corinthians) e Wallace (ex-Sport). Este ano, é igual: o Náutico praticamente refez o time inteiro e está com Ortigoza e Wendel. Creio que o ano 2001 foi o renascimento do Náutico. E agora, também. A semelhança é muito grande. Os jogadores estão se esforçando e resgatando a autoestima do torcedor.

Neste ano, a diretoria cortou a folha salarial e reduziu investimentos. Como você avalia a situação do clube?

Eu sempre preguei essa filosofia, o primeiro reforço do Náutico é o pagamento em dia. A imagem do clube estava muito ruim. Não adianta ter folha grande e só arrecadar metade, como vinha acontecendo. Tem de fazer uma folha “pé no chão” e conseguir pagar. Hoje, os salários estão em dia e o clube honra com os compromissos. Independentemente de quanto recebe, todo jogador tem contas, tem obrigações para cumprir fora do campo. O Náutico está se readequando e isso vai atrair coisas boas. É como Muricy (Ramalho, treinador campeão em 2001 e 2002) falava no vestiário: “Para jogar no Náutico, tem de ter fome”. Mais uma vez, essa frase está dando certo.

Pernambuco nunca teve um campeão do interior, o Central pode ser o primeiro. Não enfrentar Santa ou Sport na final deixa o Náutico mais tranquilo para a decisão?

O importante é ser campeão, não dá para escolher adversário. As duas melhores campanhas chegaram, Náutico e Central fizeram por merecer. O Central tem um time bastante arrumado, (o treinador) Mauro Fernandes resgatou a força do clube. Nos últimos anos, o Salgueiro vinha tomando esse lugar de quarta força de Pernambuco. A gente sabe que vai ser um jogo muito difícil.

Até 2012, o Náutico vinha fazendo boas temporadas. Em 2013, a coisa degringolou: foi rebaixado na Série A, com apenas 20 pontos e 57 gols negativos. Por acaso, 2013 também é o ano que o time começou a jogar na Arena Pernambuco. É coincidência?

Sim, coincidência. A gente tinha um grande time em 2012, mas não tinha condições de segurar os jogadores para o ano seguinte. O treinador Alexandre Gallo também saiu para a comandar a seleção de base. Quando começa a trocar muito de treinador, as coisas tendem a não funcionar. Fizemos um péssimo campeonato brasileiro, mas depois quase subimos por dois anos seguidos.

Você foi o último grande ídolo do Náutico. Algum jogador da atualidade pode assumir esse posto? 

O Ortigoza tem muitas coisas parecidas comigo: consistência, competição. A torcida gosta muito, ele se empenha bastante nos jogos e tem tudo para assumir essa condição. O problema é o Náutico conseguir mantê-lo. É artilheiro, fazedor de gol – e essa é uma posição carente no futebol. O Náutico tem muita visibilidade, chama muita atenção. Fica difícil segurar um cara assim.

Quando jogava, recebeu proposta para sair do Náutico?

Eu tinha identificação muito grande com o clube. O time que mais me procurou foi o Sport, mas pouca gente ficava sabendo porque os diretores eram muito profissionais na forma que me tratavam. O Bahia também fez contato. E Estevam Soares queria me levar para o Palmeiras, mas eu tinha contrato de 2 anos que dificultava minha saída. Fiquei bastante empolgado na época, mas não deu certo. Sempre optei por ficar aqui porque queria trabalhar no Náutico quando parasse de jogar.

Fora de Pernambuco, o Náutico é bastante lembrado pela 'Batalha dos Aflitos', em que você estava em campo. O estigma pesa até hoje?

Não sinto isso. São coisas que acontecem no futebol. Depois daquele jogo, muita gente disse que o Náutico não iria subir nunca mais, mas a gente conseguiu o acesso para a Série A no ano seguinte. A “Batalha dos Aflitos” foi uma coisa criada pelo Grêmio. O termo “batalha” foi questão de marketing. A briga dos jogadores do Grêmio foi com o árbitro, não foi uma batalha com o Náutico. O Náutico estava envolvido com o jogo e só. Eles fizeram isso aí por marketing. É problema deles.

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