Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

As histórias de Evaristo

Ex-jogador de Barcelona, Real Madrid relembra histórias como treinador

O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2017 | 06h00

OS FUJÕES  ENCRENCADOS

Eu treinava o Grêmio, em 1997. Em um jogo, quis fazer experiências e dispensei os titulares. Na época, a gente se concentrava no (estádio) Olímpico. Uma noite, um porteiro me chamou dizendo que as mulheres de dois jogadores estavam procurando por eles. Queriam que fossem liberados, pois os filhos estavam doentes. Mas os caras não estavam lá. Fui até elas e disse que não poderia liberá-los, pois para isso teria de pedir a autorização de um diretor e, como era tarde da noite, seria impossível.

Elas insistiram, teve discussão, até que eu perdi a paciência e disse: eles não estão concentrados. Tratem de procurar por aí. Dias depois, os jogadores se apresentaram com cara de quem teve problema em casa.

ESSE PLACAR EU NÃO SEGURO

No Bahia era tranquilo. Nós ganhamos diversos campeonatos estaduais, o Campeonato Brasileiro (1988)... Numa de minhas passagens pelo clube (foram oito), tivemos um jogo muito difícil. No intervalo, a gente estava ganhando por 1 a 0, eu ia descer para o vestiário quando fui abordado na entrada por um repórter. Era um jovenzinho, um repórter novo, que nem me conhecia direito.

Ele chegou e disse: “Técnico, por favor, deixa eu lhe fazer uma pergunta’’. “Faça, meu filho’’, consenti. “O senhor vai segurar o placar?’’ “Não meu filho, não vou. Porque ele está muito alto e além de tudo é muito pesado’’, respondi. Isso virou uma piada por muito tempo na Bahia.

TORCEDOR DEU ÚLTIMA PALAVRA

A gente estava no Parque São Jorge fazendo um jogo-treino (Evaristo treinou o Corinthians em 1999) e o centroavante era Mirandinha, um jogador rápido, mas que às vezes ficava meio afobado. Tinha um torcedor no alambrado que começou a reclamar dele. Incomodava, né? Num jogo a gente fecha o ouvido, mas num treino, dentro de casa... Aí, eu me virei para ele e pedi: “Escuta, amigo, fica calmo’’. Mas ele continuou.  Então, virei para trás (estava no banco) e disse: “Você não está satisfeito com ele, né? Eu também não estou. Mas só para te sacanear ele vai ficar jogando até o final’’. Só que o cara devolveu: “Mas eu não vou assistir’’. Virou as costas e foi embora. E eu tive de continuar o treino.

PARTICIPEI DE UMA COPA!

Eu não fui à Copa do Mundo de 1986 como treinador por uma razão muito simples: um ano antes o Sócrates estava voltando ao Brasil (não se adaptou à Fiorentina e viria para o Flamengo) e havia uma pressão muito forte para que eu o convocasse. Eu não queria naquele momento, porque ele não estava jogando, não estava em forma. Como insistiram, eu saí. Mas há coisas que acontecem na vida da gente que são inesperadas. Não fiquei na seleção brasileira, mas o Iraque se classificou para a Copa e me chamou para dirigir. E eu participei da Copa do Mundo! É claro que o Iraque não teria a chance de um Brasil, mas fizemos campanha razoável (a equipe perdeu os três jogos por um gol de diferença).

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