Wilton Junior/ Estadão Conteúdo
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Robson Morelli
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As lições do Brasileirão

A competição mais equilibrada do futebol do País não perdoa os desavisados: Palmeiras vacila. Corinthians e Santos perdem. São Paulo enrosca. Grêmio e Atlético-MG caem. E na Série B Vasco e Cruzeiro apanham

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 05h00

O Campeonato Brasileiro, em suas principais divisões, impõe lições já na primeira rodada. Vale aos desavisados, àqueles que não se prepararam adequadamente e aos estrangeiros debutantes ou em sua primeira edição desde o início. O torneio não perdoa, não dá chance de recuperação e pune os que não levam a seriedade e o espírito competitivo até os 90 minutos.

Nesse sentido, o Palmeiras merece um puxão de orelha, mais precisamente Gabriel Menino, que piscou em sua missão de anular Bruno Henrique e viu o atacante do Flamengo fazer a jogada do gol de Pedro, dando ao time do Rio a primeira vitória na competição. Menino cansou ou se desconcentrou. Foi seu erro. Bruno Henrique ainda passou por Luan antes de cruzar. Os rivais se respeitaram ao limite, sem, no entanto, abrir mão da busca do gol. Foi sim um duelo digno dos dois elencos mais badalados do Brasil.

Gerson deu nó em Patrick de Paula. Diego foi melhor do que Felipe Melo. Rony deu trabalho para Rodrigo Caio. A bola ficou com o Flamengo, 65%. O Palmeiras foi mais vertical e ficou mais vezes em impedimento, três no total.

Mas não foi somente o Palmeiras a deixar de somar os primeiros pontos no Brasileirão. O Santos, de Fernando Diniz, abriu a disputa sofrendo uma surra sem dó do Bahia, em Pituaçu. Não era para tanto diante da tradição do time da Vila. A propósito, o Brasileirão dá de ombros para algumas tradições do futebol, e faz valer o que cada equipe apresenta dentro de campo. O Santos não se preparou adequadamente para o jogo. Fácil de concluir.

Há mais coisas por trás desse resultado. A fragilidade do elenco é uma delas. Falta referência aos moleques, uma vez que Marinho não é mais o mesmo, não por enquanto, e Soteldo foi embora. Diniz é um técnico que precisa de tempo para mostrar suas ideias e de mais tempo ainda para colocá-las em prática. Azar do Santos. O Brasileirão não espera. O Bahia não teve dó.

Em Minas, o Atlético pagou caro por jogo ruim, como atestaram seus jogadores. Cuca tem clareza que perder em casa para adversário teoricamente mais fraco, obriga o time a dar o troco diante de rival mais forte na casa dele. O Atlético parou no Fortaleza por 2 a 1. 

Alguns alegaram cansaço pela maratona. Libertadores, Estadual e Copa do Brasil fizeram parte do calendário do clube de Minas. Arana não engoliu essa. “Não tem nada de cansaço. O clube tem profissionais que cuidam disso e nos deixam em condição de entrar em campo”, disse o lateral atleticano, que deixou três pontos lhe escapar em casa. Eles poderão fazer falta lá na frente.

No Morumbi, no encontro dos tricolores, uma falha de Nenê contribuiu para que o Fluminense não festejasse três pontos. O atacante foi juvenil ao entrar na pilha de Miranda numa cobrança de pênalti. O zagueiro do São Paulo ficou fora da área, no limite, mas atrapalhando a contagem de passos da bola à posição de batida de Nenê. O juiz ficou sem saber o que fazer. Nenê se sentiu pressionado e arrumou a bola três vezes, até perder a concentração e chutar para a defesa de Volpi. Vacilou o atleta do Fluzão. Não tem para quem chorar.

Num pênalti e rebote errados por Vital, o Corinthians teve sorte até pior, porque perdeu em casa diante do Atlético Goianiense. Martelou, mas não empatou. O elegante Sylvinho aprende sua primeira lição.

O Grêmio caiu diante do Ceará quando não teve mais pernas para segurar o rival em sua casa. Amargou derrota por 3 a 2, num duelo em que sempre teve de correr atrás. 

E se a Série A do Brasileiro castiga, imagine a B. Vasco e Cruzeiro apanharam na estreia diante de Operário e Confiança, respectivamente.

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