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Nilton Fukuda/Estadão
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Robson Morelli
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As próximas ondas

Times vão reduzir salários e sofrerão com a interrupção de cotas de TV, de patrocinador

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2020 | 04h00

Os clubes de futebol pagaram integralmente o salário de março a jogadores, treinadores e funcionários. Colocaram os atletas em férias por 20 dias a partir de 1.º deste mês, com possibilidade de estender o período até o fim de abril, o que provavelmente vai acontecer. Daí em diante, nada é certo.

Os próximos passos serão os mais duros para os dirigentes e todos aqueles que têm algum negócio no futebol. Novas ondas virão. A temporada 2020 já está comprometida. As decisões a partir de agora serão para tentar parar o sangramento.

A cadeia financeira que sustenta o futebol está ruindo. Os clubes vão gritar, salvo raras exceções como o Flamengo, que já garantiu ter bala para segurar as contas por mais três meses, e o Palmeiras, que trabalha amparado no seu forte patrocinador, a Crefisa.

Não há dinheiro em caixa para bancar os salários dessa categoria em abril, maio, junho, julho... A maioria dos times já propôs a redução de 25% dos vencimentos a seus jogadores. Esse porcentual será pago mais adiante. Não se sabe quando. Depois de muito tempo as negociações no futebol voltaram a ser feitas no fio do bigode. 

Alguns cartolas receberam de seus elencos a decisão de cortar 10% dos salários, sem a necessidade de o clube ter de pagar o valor correspondente mais adiante. Esses jogadores concordaram em cortar da própria carne.

Isso prova que todos começam a entender o tamanho da crise que apenas começou no Brasil, e tende a se agravar nos próximos meses, quando nada no futebol estará resolvido ou salvo. Só o Estado de São Paulo projeta 220 mil casos de infectados pela covid-19. Os estádios de futebol estarão fechados por muito mais tempo, e da mesma forma o futebol continuará parado.

A segunda onda partirá dos contratos de TV. Os clubes não receberão mais pelas transmissões até que tudo volte ao normal, se é que um dia veremos o mundo como ele era. A Globo já anunciou isso para os Estaduais. As cotas em dinheiro vão secar, assim como as parcelas de pay-per-view. Já não há bilheterias nem ganhos com os torcedores durante os 90 minutos dentro do estádio, com o consumo nas arenas de alimentação, bebidas e brindes.

Geralmente o patrimônio dos clubes de futebol se resume a contratos de jogadores e manutenção de seus estádios. Ou seja, papel assinado no cartório e paredes de cimento e mármore. Duvido que haja caixa. Dinheiro na conta corrente, se houver, é para um mês. 

A segunda onda, portanto, fará um grande estrago. Mas será a terceira a arrebentar com tudo. Ela virá dos patrocinadores, grandes ou pequenos. São aquelas empresas que colocam um caminhão de dinheiro nas camisas e calções e roupas de treino e bonés das equipes para que os jogadores mostrem isso nos meios de comunicação.

Como não há bola rolando nem entrevistas, esses patrocinadores estão pagando por nada. Não estão aparecendo e, portanto, não lucram com a exposição de suas marcas. Neste mês ainda vão se reunir em teleconferências com os clubes, se já não o fizeram, para rever contratos.

Se os clubes de futebol tivessem heads melhores em suas áreas de marketing, poderiam oferecer ideias voltadas ao combate do novo coronavírus para seus parceiros, de modo a engajar seus patrocinadores em ações maiores para seus torcedores e para si próprios nesta crise. Com isso teriam argumentos convincentes para manter contratos. As grandes marcas também deveriam liderar projetos e mostrar caminhos para a sobrevivência de todos que consomem o futebol. Elas sempre estiveram de mãos dadas com o clubes, mas com claro objetivo de atingir o brasileiro comum, aquele que canta e se abraça nos estádios ou nos bares a cada gol do seu time. Essa onda ainda não veio.

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